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Além do bem e do mal na cidade sitiada

Eis um texto que ajudará e muito a esclarecer a posição da qual compartilho com o autor do texto, até por ter minhas opiniões influenciados por sua produção acadêmica, sobre a segurança pública do Rio e o projeto de UPPs. A retórica ufanista, que foi cinematográficamente propagada  pela nossa imprensa, de maniqueísmo social, de bem versus mal, é na verdade uma grande aliada da escalada da violência e da corrupção, e enquanto não soubermos decodificar esta realidade e aplicar-lhe os devidos remédios em políticas públicas de segurança pública e cidadania, estaremos reféns deste estado de coisas que a cada dia ceifa mais e mais vidas.
Boa leitura.
 
                                                             Luis Eduardo Soares, sociólogo, professor da UERJ e ex-secretário de segurança do Rio no governo Anthony Garotinho.     
Publicado no Caderno Aliás, jornal Estado de SP, 20/11/2011
 
A retórica ufanista e o moralismo simplificador do bem contra o mal, ainda comum na mídia, sobretudo carioca, não ajudam a entender a unidade de fundo entre crime e polícia, cuja lógica explica o drama da insegurança no Rio de Janeiro. O que se ganha na demagogia política dos símbolos, perde-se em acuidade analítica.
Em 1997, dois representantes colombianos do cartel de Cali vieram ao Rio de Janeiro para um encontro clandestino com dois empresários atuantes no comércio de cocaína --um brasileiro, outro sul-africano. O objetivo era avaliar as perspectivas desse ramo de negócios na cidade. Vieram estimulados pelo reconhecimento de que o mercado dava sinais de prosperidade e seu futuro parecia promissor, sobretudo face ao aumento do poder de consumo da classe média, nos novos tempos de estabilização e crescimento inaugurados pelo Plano Real. Calcularam custos e benefícios, e, finalmente, desistiram. Concluiram que seria inviável organizar uma estrutura de distribuição economicamente racional, em grande escala, à semelhança da rede que funcionava na Europa, abastecida por transporte marítimo, via Inglaterra. O obstáculo no Rio era o faccionalismo dos grupos armados, cuja irracionalidade era agravada pelo envolvimento policial. Tudo isso gerava instabilidade e imprevisibilidade: péssimo ambiente para investimentos. Passaram uma noite no antigo templo da prostituição turística carioca, a boate Help, e voltaram para casa, frustrados e exauridos --por motivos diferentes.
O episódio ilustra um aspecto frequentemente negligenciado: o modelo de organização e operação do tráfico de drogas no Rio sempre foi irracional e tenderia a tornar-se insustentável. É muito caro manter controle armado e ostensivo sobre territórios e populações, dividindo lucros com policiais. Exercer esse controle exige a organização de equipes numerosas, disciplinadas, hierarquizadas, dispostas a assumir riscos extremos. Os benefícios podem ser obtidos com muito menos gastos e riscos, quando se opera com estruturas leves, adotando-se vendas por delivery ou por agentes nômades, circulando em áreas selecionadas –como ocorre nas grandes cidades dos países centrais.
As UPPs –ótimo programa, sem dúvida necessário--, ao sepultarem o antigo regime, induzem, paradoxalmente, a modernização da economia do tráfico. Não o digo para criticar o programa, vale sublinhar, mas para analisar suas condições de possibilidade, seus efeitos e suas perspectivas futuras. Até porque essa modernização, considerando-se a inviabilidade de extinguir o negócio das drogas, será benéfica, reduzindo as armas em circulação e a violência, além do despotismo a que são submetidas tantas comunidades.
O modelo tradicional do tráfico é fruto de uma história bastante peculiar e não o resultado de um plano de negócios ou de um projeto “político”. A geografia social da cidade já situava, nos anos 1960 e 70, enclaves de pobreza, as favelas, no coração de zonas afluentes. O abandono das áreas pobres por parte do Estado favorecia seu uso como depósito de mercadorias ilegais e esconderijo para os operadores do tráfico no varejo. A contiguidade espacial permitia que os consumidores das camadas médias fossem alcançados sem dificuldades. Graças à aliança com segmentos policiais, a venda de drogas acabou por estabelecer-se nas próprias favelas, em pontos de venda fixos, as “bocas”,  de conhecimento público. Inaugurava-se, assim, uma das únicas experiências duradouras de comércio sedentário e varejista de produtos ilícitos em zonas urbanas do mundo industrializado. Observe-se que desde sua origem o sistema dependia, naquilo que tinha de singular e distintivo, da participação policial.
Para garantir a continuidade dos negócios, tornou-se necessário proteger a “boca”, assegurando o livre trânsito de mercadorias e clientes. As armas, o recrutamento de equipes, sua organização à moda militar e o treinamento adequado converteram-se em vantagens competitivas. A consequência inevitável foi o controle de territórios e populações, exercido pela combinação perversa entre a intimidação pela força e a subordinação de tipo clientelista –padrão já incorporado à cultura local por décadas de tutela política.
Choques de interesses, disputas de poder e caprichos histórico-biográficos ensejaram a formação de três polos agregadores e antagônicos, em cujas órbitas passaram a gravitar os grupos de traficantes. Ordenavam-se, portanto, as rivalidades, fortalecendo-se, simultaneamente, a coesão interna de cada comando e as respectivas identidades. A relevância prioritária do armamento impôs-se nesse contexto, gerando uma curiosa e nefasta autonomização da economia das armas, cujo resultado foi a existência de mais armas e mais poderosas do que seria necessário para o uso rotineiro. O estoque excessivo de armas –ao instaurar uma capacidade “produtiva” ociosa-- animou o desenvolvimento de práticas de aluguel e leasing, entre outras, em condições baratas e acessíveis, o que terminou por universalizar o emprego da arma de fogo, inclusive na prática de crimes menores contra o patrimônio, tradicionalmente perpetrados sem esse recurso –convertendo-os em potenciais crimes contra a vida e, por essa mediação, reproduzindo em escala ampliada a espiral da violência. Lembremo-nos que o Bope, em meados da década de 1990, deixou de aceitar rendição e fazer prisioneiros, o que também contribuiu para que traficantes intensificassem o investimento em armas e na cooptação de militares para a formação de seus quadros.
As histórias da crescente ingovernabilidade policial e do tráfico articulam-se, desde a origem. Não podem ser compreendidas separadamente. Nunca houve tráfico de armas e drogas, no Rio, dada sua natureza sedentária e territorializada, sem ativa participação de segmentos policiais, os quais se emancipavam do controle institucional, social e governamental, em função de vários fatores, entre os quais o modelo policial legado pela ditadura, refratário à governança racional, legalista e democrática.
Nesse contexto, as UPPs, retomando experiências anteriores (os mutirões pela paz, em 1999, e os GPAEs, entre 2000 e 2002), constituem um caminho mais do que promissor, indispensável. Elas substituem as incursões bélicas em que morriam suspeitos, inocentes das comunidades e policiais, sem que nada mudasse. Sua novidade: a provisão nas favelas do serviço público, que é a segurança, 24 horas, nos moldes oferecidos aos bairros nobres, isto é, com respeito às leis e aos direitos humanos. Nada de mais. Entretanto, decisivo, uma vez que a presença policial constante e legalista impede o controle do território por parte de grupos armados e permite que o Estado atue, cumprindo seu dever nas áreas de saúde, educação, saneamento, urbanização, transporte, etc.
Qual o desafio? Transformar o programa em política pública, ou seja, dotá-lo de universalidade e sustentabilidade, o que exige o envolvimento do conjunto das instituições policiais em sua aplicação. No Rio, não há esta hipótese, tal o nível de comprometimento das polícias com o tráfico, as milícias e a criminalidade em geral. Portanto, sem a refundação das polícias não haverá futuro para as UPPs. Elas se limitarão a intervenções tópicas, insuficientes para mudar o panorama geral da segurança pública e continuarão a conviver com nichos policiais, milicianos ou não, que têm sido fonte de violência e não instrumentos da ordem cidadã e democrática. No Rio, é preciso exorcizar a retórica tão patética quanto mascaradora do bem contra o mal e inscrever a mudança das polícias no centro da agenda pública.

PREFEITURA DO RIO NÃO PAGA INDENIZAÇÕES PELAS REMOÇÕES DA TRANSCARIOCA E DA TRANSOESTE !

Despejados para dar lugar a Transoeste e Transcarioca acusam Prefeitura, moradores apontam descumprimento da Lei Orgânica do Município, que fixa remoção para locais próximos das localidades de origem
Removidos de suas residências para as obras das vias expressas Transcarioca e Transoeste – que ligarão respectivamente a região de Campo Grande à orla da Barra da Tijuca, ambos na Zona Oeste, e a Barra à Zona Norte, chegando ao aeroporto do Galeão – moradores das zonas Norte e Oeste do Rio fizeram denúncias ao Jornal do Brasil sobre a política de remoção da prefeitura.
Segundo alguns cariocas, o valor pago nas indenizações costuma ser muito baixo, impedindo a compra de um novo imóvel. Há reclamações até de quem teve seu imóvel demolido pela prefeitura sem receber nenhum centavo de indenização ou uma moradia popular do programa Minha casa, Minha Vida.
Mas não são apenas em comunidades carentes que as críticas contra a política de Eduardo Paes fazem coro. Em Vicente de Carvalho, na Zona Norte, moradores de prédios construídos nas proximidades da Avenida Vicente de Carvalho – por onde passará a Transcarioca – travam uma briga com a prefeitura na Justiça. A intenção é receber uma indenização compatível com o valor dos imóveis.
Lembram disso ?..Essa imagem deve ficar em nossas mentes ! Se bobearmos , a coisa vai piorar…As leis e os nossos direitos vão para o espaço ou serão trituradas pelo TRATOR OFICIAL….

PT quer relatoria de royalties e pede mudança em texto


PT quer relatoria de royalties e pede mudança em texto

Foto: Marcelo Sayão/EFE

Segundo o líder, Paulo Teixeira (SP), a principal preocupação do partido é que o tema se transforme novamente em um embate federativo. Ele afirmou ser necessário buscar um caminho que proteja os Estados produtores de petróleo e permita um aumento de receitas a quem não produz. “O final não pode ser um Estado contra outro, mas sim uma unificação das 27 unidades da federação”.
Comissão para tratar do tema deve ser instalada na próxima semana, mas a votação ficará para 2012

A bancada do PT na Câmara reivindica a relatoria do projeto que trata dos royalties do petróleo e defende alterações em relação ao texto aprovado no Senado, que tem como base o relatório do senador Vital do Rêgo (PMDB-PB). Os petistas reuniram-se na manhã desta quinta-feira, 17, na residência oficial do presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS). Uma comissão especial para tratar do tema deve ser instalada na próxima semana, mas a votação em plenário ficará para 2012.
Para os petistas, o relatório de Vital não resolve o problema. Os cálculos feitos pelo senador estão sendo questionados porque haveria uma superestimativa de produção. Desta forma, a promessa do peemedebista de que Rio de Janeiro e Espírito Santo não seriam prejudicados não se confirmaria. Para o deputado Nelson Pelegrino (BA), o texto do Senado é somente um “ponto de partida”. Ele destaca, porém, que a proposta de Vital já é um avanço em relação à emenda Ibsen Pinheiro, que dividia os recursos totalmente pelos fundos de participação.
Representante de um dos Estados produtores, Alessandro Molon (RJ) afirma que a Câmara precisa fazer “o que o Senado não fez” e proteger quem produz. “Se o relatório do senador Vital fosse satisfatório não haveria necessidade de se criar uma comissão e fazer um debate novo aqui na Câmara. Essas ações são sinais claros de que o texto do Senado não é uma solução para o problema”.
Paulo Teixeira defendeu que a bancada fique com a relatoria para conduzir este equilíbrio federativo. O partido debateu ainda a necessidade de carimbar recursos dos royalties para que eles possam atender a áreas como ciência e tecnologia, desenvolvimento social e proteção ao meio ambiente.
O clima dentro da bancada é pressionar o governo federal a apresentar uma posição clara sobre o tema. Em paralelo, o PT quer o protagonismo do debate legislativo sobre os royalties. Há uma insatisfação dentro do partido em relação à postura do governador Sérgio Cabral, do PMDB. Na visão dos petistas, ele tem jogado para a plateia em vez de procurar negociar uma solução para o Rio de Janeiro.
por Eduardo Bresciani
FONTE: Agência Estado

Notícias sobre a política fluminense.

  • Bate-boca virtual: Cidinha Campos e Clarissa Garotinho trocam farpas

  • Documento fantasioso que aponta Garotinho como mentor de revolta irrita bombeiros 

      • PSDB enfrenta drama no cenário para o Rio de Janeiro

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Bate-boca virtual: Cidinha Campos e Clarissa Garotinho trocam farpas

Jornal do BrasilJorge Lourenço

As deputadas estaduais Clarissa Garotinho (PR-RJ) e Cidinha Campos (PDT-RJ) esperaram a manifestação pelos royalties acabar para trocarem farpas pela internet. Presente no evento, a apresentadora da Rede Bandeirantes questionou a presença da família Garotinho no protesto e os acusou de tentar jogar o povo contra o governador Sérgio Cabral (PMDB).
Salto alto
"Patético o comportamento da família Garotinho, ontem! Fizeram politicagem contra Cabral e não estavam preocupados com os royalties!Clarissa Garotinho de salto 18 na Rio Branco, pensou que estava na passarela do samba!", atacou Cidinha Campos, que nunca escondeu seu repúdio à família do ex-governador.
Contra-ataque
Não demorou muito para Clarissa responder às críticas da apresentadora. "Esqueça meu salto, que era baixo, deputada. Preocupe-se em cuidar da cabeça e resolver sua questão patológica com minha família", disse a deputada, através do seu perfil no Twitter.


Documento fantasioso que aponta Garotinho como mentor de revolta irrita bombeiros

A investigação da Secretaria de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, que apontou o ex-governador e deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ) como mentor da revolta dos bombeiros do Rio de Janeiro, deixou a categoria revoltada. De acordo com o cabo Benevenuto Daciolo, um dos líderes dos bombeiros e apontado como principal "braço" de Garotinho na revolta, a investigação é uma tentativa de denegrir o movimento e caracterizá-lo como parte do jogo político fluminense. Apoio universal
"Como é um relatório preparado pelo próprio governo do estado, não dava para esperar algo imparcial. Tivemos o apoio de vários políticos, alguns até inimigos ferrenhos do Garotinho. O que os bombeiros fizeram no Rio de Janeiro foi uma manifestação apartidária, uma luta pela dignidade de uma categoria esquecida", disse Daciolo. "Fiquei muito triste e revoltado de ver o meu nome no meio desse jogo político, mas a nossa luta vai continuar".
Teoria da conspiração
De acordo com a investigação, que contudo não apresenta provas, uma série de políticos e ex-policiais estariam tentando denegrir a imagem do governador Sérgio Cabral e das ações da Secretaria de Segurança. Um dos principais pilares deste grupo seriam os protestos de bombeiros e policiais, que reivindicam melhores condições de trabalho para as suas categorias.


PSDB enfrenta drama no cenário para o Rio de Janeiro


Crise entre deputado e vereadora foi parar no gabinete do senador mineiro Aécio Neves.
O PSDB de Aécio Neves e José Serra domina o cenário político nos dois maiores colégios eleitorais do Brasil, São Paulo e Minas Gerais, mas agoniza no terceiro, o Rio de Janeiro.
Com 11,6 milhões de eleitores, o estado é hoje o principal foco de dor de cabeça para o projeto de poder dos tucanos em 2014.
O melhor retrato da crise é a disputa feroz travada pela sigla em torno da escolha do candidato à prefeitura do Rio em 2012.
O deputado federal Otávio Leite e a vereadora Andreia Gouvêa se apresentaram como pré-candidatos.
"Estou há 19 anos no PSDB e sempre fiz trabalho de base. Meu nome flui naturalmente", diz Leite.
Já os interlocutores de Andreia reclamam que o deputado quer impor seu nome justamente porque controla o diretório local tucano.
A crise foi parar em Brasília. Depois de ameaçar deixar o partido, a vereadora foi até o Congresso para uma conversa olho no olho com o deputado Sergio Guerra, presidente nacional do PSDB, e o senador mineiro Aécio Neves, pré-candidato à presidência em 2014. Até o fechamento da edição, a reportagem não conseguiu localizar Andreia, mas uma interlocutora dela resume bem o tom da conversa.
"O PSDB está vivendo um drama no Rio. Elegemos cinco vereadores e, hoje, temos apenas dois. Para 2012, o nosso maior puxador de votos é o João Buracão... Desse jeito, o Aécio pode esquecer os votos do Rio em 2014".
Além da falta de nomes fortes, o PSDB enfrenta uma poderosa aliança no estado entre o PT e o PMDB. Os dois partidos caminham para lançarem juntos a campanha de reeleição do prefeito peemedebista Eduardo Paes.
"Nós vamos enfrentar três máquinas; a prefeitura, o governo e o Palácio do Planalto. A máquina exerce um papel sedutor. É o império do pragmatismo", lamenta Otávio Leite.
Ainda segundo o deputado, o poder de sedução se traduz na dificuldade em montar alianças.
"Estamos trabalhando o PV e o PPS e já fui sabatinado pelo PV", afirma Leite. Outro dilema da oposição carioca é o acordo que está sendo costurado nos bastidores entre dois ex-arquirrivais, Cesár Maia, do DEM, e Antony Garotinho, do PR.
A dupla pretende lançar uma chapa com o deputado Rodrigo Maia, filho de César, na cabeça, e a vereadora Clarice Garotinho, filha de Antony, como vice.
A grande expectativa na "Cidade Maravilhosa" é o destino de Fernando Gabeira, do PV.
Depois de perder por pouco a eleição municipal de 2008, ele abriu mão de uma vaga garantida na Câmara para disputar o governo contra Sérgio Cabral. Sofreu uma derrota maiúscula e decidiu se afastar da política. Se optar por tentar novamente ser prefeito, seu nome pode exercer o poder de catalisar os adversários da "máquina".

Independência do Estado do Rio de Janeiro?

Disputa por royalties insinua guerra de secessão tupiniquim

Por: Silênio Vignoli
Uma emenda constitucional do deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) propondo a independência do Estado do Rio, que o próprio autor reconhece ser de cunho provocativo, diante da tentativa de apropriação dos nossos royalties, reúne números indicativos de que o país Rio de Janeiro já nasceria com um invejável potencial. Só de royalties e participações especiais do petróleo a arrecadação fluminense saltaria de R$ 7 bilhões para R$ 13 bilhões, acrescida de um significativo valor, ainda inestimável, que virá do pré-sal.

Especialistas avaliam que, rapidamente este país passaria a fazer parte da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), ocupando a 55ª colocação entre todos os países do mundo no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). O Brasil, atualmente, está no 75º lugar. Este país – Rio de Janeiro – seria autossuficiente na geração de energia e a população teria uma renda média 42% maior que a dos brasileiros. O governo Lula arrecada, por ano, R$ 101 bilhões em impostos só aqui no Estado do Rio. Desse total, voltam para cá apenas R$ 2 bilhões. Como país independente ficaríamos com tudo. Eis o diagnóstico que serve para insinuar o que poderíamos chamar de guerra da secessão tupiniquim. E essa provocação de tornar o Estado do Rio de Janeiro um país independente já ganhou até slogan, bolado pelo cronista Carlos Eduardo Novaes: “Independência ou praia!”. Se formos derrotados fecharemos nossos poços de petróleo, deixaremos de trabalhar e vamos todos para a praia… Vamos ver o que vai sobrar de royalties para eles dividirem!


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Breve eu mesmo retomarei esta diuscussão. Aguardem e comentem. Enquanto isso, vejam que texto curioso achei, do ano passado, no auge da discussão sobre a "emenda Ibsem Pinheiro", a origem de todo esse mal:

Povo do Rio, uni-vos! Admiro todos aqueles que prontamente saíram em defesa do Rio contra a violência da emenda Ibsen Pinheiro. Existe, entretanto, um problema de foco nas reclamações. Nós fomos agredidos, querem tirar de nós 7 bilhões de reais por ano, o que significa decretar nossa morte. Qual estado no mundo sobrevive com uma perda abrupta de receitas desta grandeza? Precisamos contra-atacar com a mesma força. Não nos limitemos a reclamar o que queremos nos tirar - os 52,5% que temos direito. Por que não reclamar para nós os 47,5% que hoje não temos direito?


Sim, queremos os 100% dos royalties de petróleo e se o resto do Brasil não aceitar, declaremos Independência, criemos um país e, este sim, inequivocamente, terá direito a 100% dos royalties! Vamos fazer do limão uma limonada. Chegou a nossa hora, vejamos.


Somos 16 milhões de pessoas, temos 43 mil km2 e muitos indicadores sociais comparados a países desenvolvidos. Seríamos o 45o. país do Mundo por PIB, acima do Uruguai e Chile e um pouco atrás da Argentina, mas por pouco tempo. Lembre-se, com 100% dos royalties do pós e pré-sal, já-já pegamos os hermanos e ficaríamos apenas atrás do Brasil. Temos uma geografia ímpar, com praias e montanhas. Temos rica cultura, com destaque para o carnaval e a bossa nova, um gênero musical internacional. Quantos países tem o seu? Temos belezas naturais, como o Pão de Açucar, e um monumento de rara beleza, eleito umas das sete maravilhas do mundo moderno, o Cristo Redentor. Temos até o oitavo maior bilionário do planeta, que poderá dar recursos para nossa campanha de independência. Se ele bancou a campanha da RIO 2016 e a despoluição da Lagoa, com certeza vai embarcar nessa.

Temos as mais lindas mulheres, Copacabana e o Leblon (ah, o Leblon...). Temos cidades turísticas para todos os gostos. Históricas, como Paraty. Litorâneas, como Angra ou Búzios, e de serra como Itaipava ou Mauá. Temos o melhor time de futebol do Brasil (amigos, não quero fazer avaliações subjetivas que nos desunam neste momento, mas o Flamengo é o atual campeão brasileiro, é um fato).


Temos as Olimpíadas de 2016 na cidade do Rio e a copa de 2014 que será, a princípio, no Brasil. Lembrem-se que nós temos o João Havelange e o Ricardo Teixeira. Separando-se do Brasil, onde você acha que ficará a copa do Mundo? Pense. Com o dinheiro dos royalties criaremos novas sedes, reformaremos os estádios de Caio Martins (Niterói) Godofredo Cruz (Campos) e Alair Correia (Cabo Frio) e Raolino de Oliveira (Volta Redonda). Porque não criar uma sede em Angra, Itaipava ou Mauá. Nós podemos, teremos 100% dos royalties.

Temos localização estratégica, no litoral e com boa infraestutura portuária e areoportuária (quando a Infraero largar o Galeão deixaremos ele um brinco) para escoar nossa produção. Estamos ao lado de dois mercados consumidores de massa, São Paulo e Minas, que compram tudo que tem o estilo de vida do Rio. É uma pequena China ávida por nossos produtos, logo aqui do lado, e agora geraremos superávits comerciais por exportar. Para cada bermuda da Osklen que um playboy paulista comprar (eles compram muito), mais um trocado entrará na nos contas externas do nosso país. A Rede Globo vai exportar novelas para todo Brasil, gerando mais divisas para o país. Imagina se cobrássemos royalties sobre tudo mais que eles copiam: nosso carnaval, nossos botequins, nosso funk...

Com tantos atrativos e recursos para resolver nossos problemas históricos, mais e mais turistas brasileiros virão ao Rio de Janeiro. Terminaremos de vez com o problema da violência nas comunidades, o Vidigal virará uma Positano carioca. Imaginem: hotéis, lojas bares e restaurantes com vista cinematográfica das praias do Leblon e Ipanema. E nós exigiremos visto, poderemos escolher quais paulistas, mineiros ou gaúchos queremos receber, evitando uma invasão no nosso Rio.

Poderemos escolher nosso sistema de governo. Que tal uma charmosa monarquia a beira mar, como Mônaco? Apenas como exercício, pensem em Eike Batista I como nosso Rei, o Rei do Rio de Janeiro. Que tal? Se não gostou, podemos ficar na democracia mesmo. Cabe a nós decidir o nosso futuro. O importante é que nos livraremos do Lula e não precisaremos escolher entre Dilma e Serra. E o melhor, não precisamos carregar um fardo chamado Brasil.

Já temos toda estrutura para receber o governo do novo país. O chefe de estado volta a ser instalar no histórico Palácio do Catete, teremos uma única câmara (o senado brasileiro já nos mostrou que não tem motivo para existir) que ficará instalada no Palácio Monroe, totalmente reconstruído.

A hora é de ação, precisamos nos mobilizar que vai dar certo! Como eu sei? No momento que declararmos independência viraremos um assunto de política externa para o Lula e aí, amigo, a história nos diz: ele entuba tudo. Aceitou desapropriação de ativos brasileiros na Bolívia, perdoou dívida de vários países, reconheceu a China como economia de mercado e ainda vai entubar uma sucata aérea francesa para defender as fronteiras do Brasil.

No pior dos casos, damos nossa cartada final. Apoiamos o Brasil para uma assento no conselho de segurança da ONU em troca da tão sonhada independência. E, por fim, a maior das injustiças já cometidas à esta cidade será revertida. O Rio voltará a ser a capital do país, a capital do Rio de Janeiro! Chegou a nossa hora, Independência ou Royalties, esse é o nosso grito!

Você deve se perguntar, este país não tem defeitos. Sim, amigo, todo país tem, nós não estamos livres também. Teremos uma extensa fronteira com o Brasil. O Brasil do Ibsen Pinheiro.


Junte-se a nós!





Milícias: lei que obriga viatura policial a ter câmera ainda é ignorada

Jornal do Brasil - Jorge Lourenço

Proposta pelo relator da CPI das Milícias, o deputado estadual Gilberto Palmares (PT-RJ), a lei que obriga a todas as viaturas policiais do Rio de Janeiro a terem câmeras instaladas continua sendo ignorada pelo poder público. Aprovada há dois anos, a Lei 5588/2009 tenta atingir um dos pilares dos milicianos: o uso de carros oficiais nas comunidades sob seu domínio.


Alô, governo

"Todos sabem que os milicianos andam nas comunidades, muitas vezes, com veículos oficiais da polícia. Algumas propostas minhas após a CPI das Milícias tentaram desestruturar o poderia econômico destas organizações criminosas e essa foi uma delas. Estranhamente, não se fala dessa lei em lugar nenhum. Ela foi completamente esquecida e poderia prejudicar bastante as atividades da milícia", reclamou Gilberto Palmares, em conversa com o Informe JB.

Já teve veto

Na ocasião da sua aprovação, a Lei 5588/2009 recebeu um veto do governador Sérgio Cabral, que a considerou "preconceituosa" em relação aos policiais militares, já que os colocaria sob constante vigilância. A Alerj derrubou o veto do governador posteriormente e, mesmo assim, a lei continua a ser desrespeitada.

Milícias no Rio viram caso para a Anistia Internacional. - Uma análise sobre as milícias

Extrapolou os limites do Estado, e os limites do país. As autoridades estão paralisadas e imobilizadas. Por força ou por vontade. E um organismo internacional teve que intervir pra salvar a vida do Deputado Estadual Marcelo Freixo.

A Anistia Internacional ofereceu asilo ao deputado e sua família em outro continente, a par protegê-los de morte mais que iminente. O deputado não confirma país nem duração da "fuga", apenas que se dará na europa e que não durará muito, e servirá para dar-lhe um pouco de paz e segurança, algo que não tem há anos, desde que iniciou sua luta, quase que solitária e mais que heróica, contra as milícias no Rio, e para chamar a atenção para a complacência e quase  conivência das autoridades do Rio com este tipo de crime que domina o Estado.
Freixo sofreu nada menos que 5 ameaças de morte ´nos últimos 10 dias, num total de 7 desde a morte da Juíza Patrícia Accioli. Desde esta data ele vem pedido reforço na sua segurança, e assim como no caso da falecida juíza, o secretário de segurança não move uma palha e não lhe atende. Espera que ele morra, provavelmente. Mais conveniente politicamente não? Afinal, não costumamos recordar dos mártires, e nada que alguns milhões de propaganda eleitoral e uma extensa aliança fisiológica não nos faça esquecer e enxergar um Rio florido e pacificado.
O tema é tão profundo e aterrador, que políticos de todas as matizes ideológicas estão se posicionando ao seu lado, mesmo que venham a concorrer ano que vem contra ele na disputa pela prefeitura da capital da milícia. Anthony Garotinho, Wagner Montes, Chico Alencar, Aspásia camargo, paulo Ramos, são alguns exemplos destes que já denunciam a situação há algum tempo e hoje pela manhã reverberavam esta notícia. Waldyr Damous, presidente da OAB-RJ é outro que tem cobrado alguma ação do governo do estado, do secretário de segurança, o popstar José Mariano Beltrame, e do próprio governador, Sérgio Cabral, de paradeiro quase sempre desconhecido.
Há uma inversão de valores que tem se agravado por anos, e mesmo novo tenho sido testemunha disto. Quando pequeno, e isso não tem mais que duas décadas, os criminosos tinham medo de atacar um policial, e quando o faziam, eram mortos ou capturados em poucos dias, numa mobilização cinematográfica da polícia. Com o tempo, foi se naturalizando os ataques aos policiais, e hoje estamos acostumados a ver 2 a 3 mortes de PMs e Policiais Civis por semana, sem que o governo ou a polícia faça qualquer coisa além de "lamentar" a perda de mais uma vida. E agora, um novo e assustador estágio tem se desenhado, que é o ataque direto aos mais altos escalões de nossos poderes. Não mais a quem prende e anda armado para reprimir o crime, mas a quem julga e decide. A Juíza foi morta, denúncias de que sua morte proveio de dentro de presídio, um comandante de batalhão foi preso, juntamente com outros policiais acusados de terem operado o assassinato, o chefe de polícia civil pediu o boné e saiu de fininho e NADA MUDOU, NADA FOI FEITO!
O deputado Freixo denuncia que quando ele encerrou o relatório da CPI das milícias, havia cerca de 170 delas no Rio, e hoje são mais de 300, e se considerarmos que nos governos "Garotistas" elas praticamente não existiam, chegando a cerca de uma dezena, sem poder político e ainda baseadas num bairrismo bem restrito, podemos dizer que este governo está miliciando o Rio, não pacificando. O governo Sérgio Cabral, de 2007´pra cá, entregou as instâncias oficiais e não-oficiais de poder aos representantes das milícias. Aos Gerominhos, Brazões e tantos mais que são seus aliados de primeira hora.

Não quero aqui travar o debate da ineficiência do combate ao tráfico, nem da hipocrisia que é esta cruzada milionária e assassina pra conter um ramo de negócios, que, como tantos outros legalizados, é ruin pra sociedade e para o indivíduo, mas que nem por isso respalda um empenho de todas as políticas públicas, das mentes e das vontades populares para reprimi-las. Mas é contudo necessário destacar que foi essa idéia, plantada nas mentes e corações durante décadas a fio, de que o tráfico é um mal maior, acima de todos os outros, diferenciando traficante de bandido, como se ambos não fossem igualmente criminosos, sem hierarquia entre si, foi esta necessidade criada artificialmente de primeiro e acima de tudo reprimir o tráfico de drogas pela tática da guerra civil, da repressão através de um aparato militar, com armas cada vez mais pesadas e aclamadas pela população, como se estivéssemos num país em convulsão social ou guerra contra uma nação inimiga. Nos acostumamos, como em Serra Leoa ou como nos países escandinavos na época de suas independências, a ver carros explodindo, ônibus pegando fogo, pessoas armados vigiando territórios e naturalizando o fato de podermos nos ver repentinamente num tiroteio entre duas trincheiras, tudo em nome de um "bem maior" que é a luta pelo fim da venda de maconha, cocaína, heroína e mais recentemente, mesclado, crack e seus derivados.
Foi este consciente coletivo, esta idéia universalisada de que apesar de todo o horror que nos submetemos, estamos tendo a recompensa moral de combater o mal maior que é o tráfico, que legitimou e lançou raízes fortes ao surgimento das milícias. Legítimas em excencia, pois diziam ser a reunião dos moradores de uma localidade para se defenderem daquilo que as forças públicas não conseguiam dar conta. Navegando em outro senso comum, o de que as instituições do Estado não funcionam, de que tribunais, polícias, governos e tudo mais não funcionam e são meramente meios de nos sorver inutilmente dinheiro, os milicianos se colocavam como heróis, messias salvadores, justiceiros de causa nobre: "Vamos acabar com o mal maior, custe o que e quem custar!". O tráfico tinha que ser vencido, pela guerra, pela força, e pelo fornecedor, não pelo usuário. Ignore-se portanto a máxima capitalista de que onde há demanda haverá sempre oferta.
O próprio prefeito Eduardo Paes defendeu as milícias em 2007 e 2008, em sua campanha eleitoral, como um meio de organização local. O governador Sérgio Cabral chamou de "mal menor" e confraternizou-se com seus líderes inúmeras ocasiões.
O filme Tropa de Elite, especialmente o segundo, lança luzes esclarecedoras sobre esta década. Só não vê quem não quer ou cegou-se de ignorância. A política do Rio hoje não se dá mais em comícios, salas de partidos ou  em passeatas. Estas continuam existindo como uma empresa de fachada esconde a fonte real de lucro ilícito. Ela se dá nos gabinetes palacianos e em churrascos bem regados dos milicianos, que negociam os votos de "sua região". Imagino um mapa do rio com tachinas coloridas fincadas com um papelzinho indicando o número de votos. O cálculo é ganhar cada vez mais tachinhas ou criar mais delas em novos locais. Porque entregar a região pro tráfico novamente, ou pior, porque se desgastar pra governar o lugar com a presença do Estado?

Neste cenário alguns atores tomam coragem de levantar a voz contra o ciclo vicioso e centrífugo. Sim, pois além de ser um ciclo vicioso, que se auto-alimenta, ele se expande. Muitos são os que conseguem fazer esta leitura do cenário, e assim como eu não encontram meios de obstar o desenvolvimento caótico desta tragédia social, mas alguns, poucos, que detém meios efetivos de ação concreta resolvem expôr suas vidas e lutar bravamente contra tudo isto. São os nossos "Capitães Nascimento". Patrícia era uma destas. Freixo é, quem sabe, o maior deles.
E são contra estes que as milícias sabem que tem que apontar suas armas.Ou ninguém se pergunta porque elas não incomodam o governador? Porque o secretário de segurança, o homem da pacificação, o dilacerador de traficantes, o herói da nova era de crescimento e união, conforme é "vendida" a imagem dele, não sofre ameaças da milícias? Porque não se cria as milagrosas UPPs em áreas de milícia? E onde ocasionalmente ela entrou em local dominado pelas milícias, mais por conta de uma pressão social devido ao atentado sofrido por repórteres do jornal O Dia, foi instalada no local uma milícia estatal, onde um "coroné", cujo nome prefiro não citar, à frente da UPP, domina a associação de moradores, a distribuição de gás, a movimentação de pessoas e vans, e as atividades de pirateação de comunicações. Este "coroné" é. não por acaso, filiado e militante de partido da base do governo. Homem mais da política do que das armas.

Por isso, não tenho dúvida em dizer, sem tergiversar como são obrigados a maioria dos jornais, e como preferem os maiores deles: O Governo do Estado do Rio não quer combater as milícias nem proteger quem as combate. Quer mais que estes morram e não lhes incomodem.

Metrô do Rio é ridículo!

Compare abaixo o sistema de transporte de trilhos metroviários de três capitais diferentes:
A européia e maravilhosa Paris, a sulamericana e conturbada Bogotá e a também sulamericana e mundialmente conhecida Rio de Janeiro.

Paris
Bogotá


Rio de Janeiro


Precisa ser dito algo mais sobre o tamanho e a assistência do nosso metrô?

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