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CARTA AO PREFEITO

Rio de Janeiro, 05 de Outubro de 2009







Ao Excelentíssimo Prefeito da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, sr. Eduardo Paes.







Vimos por meio desta, em nome da população do bairro de Campo Grande, fazer conhecida nossas impressões e preocupações, assim como expressar nossos anseios em relação à administração municipal em nossa localidade, em especial diante da realização dos Jogos Olímpicos em nossa cidade que trará grandes mudanças e transformações à nossa estrutura urbana.



Primeiramente, queremos congratularmo-nos com a conquista desta oportunidade única de alçar nossa cidade ao cenário mundial mais uma vez, de transformar a vida de milhares de cariocas com o esporte e de ter a dotação orçamentária que necessitamos para colocar em pratos limpos tantos problemas crônicos que nunca resolvemos.



Aproveitamos também para contribuir, da maneira que se nos mostra possível, com o exercício cidadão de incentivar e auxiliar nas melhorias de nossa cidade. E é por meio desta carta que queremos expor nossos posicionamentos e questionamentos em relação à tudo que já foi publicado, seja pelos meios oficiais, como sítios governamentais e da organização dos Jogos, ou pelos de comunicação, como entrevistas para rádios e tevês.



Cremos, assim como Vossa Excelência, que estes Jogos serão transformadores, e que o momento é o de planejar um novo Rio de Janeiro. Mas preocupamo-nos com o fato de até o momento, nada ter se apresentado de projetos para a Zona Oeste da cidade, a não ser a região da Barra da Tijuca, que tem sido constantemente foco da atuação de Vsa. Excelência, até por residir e ter sido sub-prefeito de lá. Entretanto, a região que compreende os bairros de Realengo, Bangu, Vila Kennedy, Santíssimo, Campo Grande, Inhoaíba, Cosmos, Paciência, Santa Cruz, Sepetiba, dentre outras, que representa cerca de 40% do território municipal, e milhões de habitantes, não tem, publico ao menos, nenhum projeto incluído neste grande Plano de preparação para as Olimpíadas. Lembramos ainda que a região conta com equipamentos esportivos de alto nível, como o Miécimo da Silva, em Campo Grande, que fez parte dos Jogos Panamericanos, e não entendemos porque ficou de fora deste planejamento olímpico.



Temos consciência que o investimento a ser realizado neste período é de um vulto que certamente jamais teríamos não fossem os Jogos, e que mesmo assim, alguns pontos ainda sairão prejudicados, ou não terão a mesma ênfase dos demais, como saúde e educação, dada as necessidades flagrantes da cidade em transportes e ordenamento urbano. Sabemos também que estes recursos sairão, em grande parte, dos cofres públicos, e que esgotarão assim grande parte das condições de outros investimentos, e que portanto, aqueles setores ou regiões que não estiverem dentro destes gastos, ficarão certamente desprovidos de recursos para aplicação durante um bom tempo.



Nossa clareza portanto é de que além de ser importante para a união da cidade e para a integração dos bairros e diferentes regiões, a inclusão de nossa região neste planejamento é crucial para não ficarmos órfãos, mais uma vez, das transformações da cidade. Temos a experiência histórica de sermos sempre preteridos ou deixados para trás nos saltos de qualidade que nossa cidade dá, e por isso, acumulamos um dos piores Índices de Desenvolvimento Humano da capital fluminense, a falta escancarada de equipamentos públicos de saúde, educação e lazer, a ausência reconhecida publicamente pelos seguidos governos da presença do poder público, seja direta ou indiretamente.



Percebemos assim que este é o momento de, enquanto cidadãos, no pleno gozo de nossos direitos políticos, reivindicar a atenção de Vossa Excelência para nossas mazelas históricas, e ter a atitude democrática e cívica de não só incluir nossa região no planejamento olímpico, como chamar a população da região para debater e influir nas decisões a respeito de seu futuro.



Lembramos que Vossa Excelência, enquanto candidato, propôs este ousado modelo de gestão participativa, próxima e atenta ao cidadão, e que recentemente tem se aplicado na atuação incisiva nos transportes coletivos de ônibus de nossa região, com a cassação das concessões de três empresas que há anos a população tem reclamado, atendendo assim à uma prioridade emanada diretamente dos moradores da Zona Oeste.



E é neste intuito, de auxiliar Vossa Excelência na aplicação deste revolucionário modelo de gestão, que nos prontificamos a buscar, juntamente com os órgãos governamentais locais, tal como a Subprefeitura da Zona Oeste, condições para debatermos diretamente com o Poder Executivo Municipal nossas necessidades, e nossos anseios diante deste projeto olímpico e de transformação urbana.



Pos tudo isto exposto, solicitamos a apreciação de nossa carta, assim como a disponibilização, por meios convencionais do planejamento público para estes Jogos Olímpicos e para a Copa do Mundo de Futebol de 2014, bem como de todos os projetos que estejam em curso ou estudo para a região anteriormente relatada.



Solicitamos também a oportunidade de uma audiência pública, se possível em nossa região, das autoridades competentes e diferentes agentes públicos, tais como vereadores, deputados, secretários e demais mandatários públicos, bem como vossa nobre presença, para debater com a população estes e outros temas.





No mais, despedimo-nos cumprimentado-o com toda a cordialidade, externando sinceramente nosso apreço por Vossa Excelência, na certeza de sermos ouvidos e atendidos oportunamente.





Subscrevem esta carta:

Samuel Braun Pereira Lima

Excrescências do Movimento Estudantil

NOVE- Nova Organização Voluntária Estudantil. É assim que doze alunos de colégios da Zona Sul denominam sua mais nova forma de brincar de RPG, quer dizer, de dominação de classe.



Reunidos num playground de um condomínio de Ipanema (!), A PEDIDO DA GLOBO, os alunos de colégios como Santo Inácio e São Bento se esforçaram para mascarar sua própria identidade. Pediram uns pros outros pra não usarem os uniformes dos colégios, para não se caracterizarem como Zona Sul, apesar de serem. Que fossem de camisas brancas, assim como todos estes movimentos reacionários elitistas que tem na Zona Sul.



Sentados em roda, justificaram para a reportagem da Globo, que o motivo de terem se reunido inicialmente foi o atraso no Enem. Emendaram em seguida que a educação não é algo inerente à política, ou seja, à vida pública. A educação, na visão deles, é cada um lutando pela sua, ou então, sentar à mesa sem colocar os cotovelos na mesma. Só pode ser isso.



Fizeram ataques à UNE e UBES, coisa que está realmente na moda, já que estas duas entidades históricas há anos realmente não conduzem a luta dos estudantes para além dos muros estudantis. Mas foram além. Diferente dos ataques padrões, como do PSTU e Cia Ltda, não propuseram qualquer outra alternativa de organização, e sim a desmobilização. Dizem não ter necessidade de uma entidade nacional para conduzir as lutas estudantis. A luta, pra eles chamada de participação¹, deve ser travada de forma atomizada, ou seja, cada colégio, faculdade, ou até cada estudante deve fazer a sua parte sozinho, porque no final isso é o melhor para o conjunto. Uma máxima muito bem conhecida do liberalismo clássico.





Mas o que chama mais a atenção é que com cinco dias de fictícia existência, o NOVE diz ter contatos com 24 colégios, além do eixo Zona Sul, e já deu entrevista para o Globo, publicada com destaque de meia página na capa, e com uma página inteira no interior, no primeiro caderno. Não que seja um decreto de morte ideológica dar entrevista pra Globo, já que eu mesmo já dei ao RJTV, quando coordenador do Grêmio da ETESC, mas fazê-lo num play, sem qualquer luta ou reivindicação social por trás, simplesmente porque está entediado do Wi ou do twitter não dá.

Isso mostra como o ME de luta de verdade está perdendo espaço. Mostra como a burocratização e o distanciamento da base fez com que aberrações assim não só se formam, mas se aliem a outro setores reacionários da sociedade. Se o povo não se ‘une’ e abre mão de se organizar praticamente, as elites dominantes fazem-no exemplarmente.



Mas isto mostra também quanto a Globo teme uma ressurreição do Movimento Estudantil de luta, como aquele que ela fingiu não ver nos Diretas Já. Ela tenta criar o seu próprio ME, pré-moldado pras elites, com o pensamento liberal, que nega as desigualdades sociais e quer que tudo continue como está, ou pior.

2010 será um ano crucial, e a desorganização e as lutas intestinais do ME podem fazer com que estes tipos de movimentos reacionários tomem a frente e as mentes da população.



Temos que encarar isto como um ultimato a nos reorganizarmos, a deixarmos picuinhas de correntes de lado e apostarmos as fichas na manutenção e aprimoramento do projeto de nação que vem sendo construído desde 2003.

Samuel Braun.

¹- Participação sim, porque no seu entender, a educação deve ser realizada não para a conscientização social em busca da igualdade humanitária socioeconômica, mas sim para uma melhor participação na exploração do homem pelo homem. Daí o apelo muito atual na educação de preparar “pro mercado de trabalho” e não pra visa em sociedade.

rio 2016

Mapa das instalações para a Olimpiada



Como já era de esperar, o Rio de Janeiro ganhou a disputa pra sediar as Olimpíadas 2016. E ganhou politicamente, não tecnicamente.

Evidentemente Chicago, Madri e Tókio estavam e estão muito mais preparadas que o Rio para sediar um mega evento como este. Madri tem 85% dos aparelhos e equipamentos olímpicos prontos, só esperando pra serem usados. Talvez isso curiosamente tenha sido o determinante para não dar Madri, e sim Rio.

Madri investiu, previamente, em instalações de esporte e em infra-estrutura, já que esta é a segunda vez consecutiva que disputa, e perde, a candidatura para as Olimpíadas. O povo madrilenho não terá muitas razões para reclamar, já que tanto transportes como urbanismo foram melhorados por conta apenas da candidatura.

Tókio é uma metrópole moderna, com transporte, saúde e educação de primeiríssimo mundo, sofre apenas o irremediável problema de superpopulação em um território diminuto.

Chicago é uma cidade riquíssima também, com algumas instalações esportivas, talvez menos que o Rio, mas que conta com uma estrutura urbana invejável, além de ser a terra natal do presidente dos Estados Unidos. É portanto, uma privilegiada.



Já o Rio de Janeiro tinha a seu favor a miserabilidade. Uma cidade grande, de renome internacional, reconhecimento histórico, artístico e paisagístico, mas representante das típicas metrópoles terceiromundistas: pobre, violenta, desorganizada e desigual. E ainda o fato de poder ser a primeira cidade Sulamericana a sediar os Jogos. Acrescente-se ainda a participação da segunda (ou primeira) personalidade mais influente no mundo hoje, um dos líderes naturais do mundo, o presidente Lula, num momento positivo pro Brasil, com crescimento econômico, recebendo o famoso grau de investimento, voltando a figurar entre as 10 maiores economias do mundo, se posicionando globalmente e liderando no G-20.

Tudo isso contribuiu politicamente pra que o Rio fosse escolhido. A vantagem de carecer deste incentivo, ou como disse o presidente, desta oportunidade, de mostrar querer, foi fundamental para superar tanto aquelas cidades que não queriam, como Chicago, como aquelas que não precisavam, Madri e Tókio.



Enfim, fomos escolhidos. A comunidade internacional deu a oportunidade que Lula disse que precisávamos. O nosso projeto Olímpico agora passa a ser o projeto de cidadania. De transformar uma cidade desorganizada, perigosa e violenta, carente e injusta, em uma cidade planejada, harmônica e inclusiva.

Foram apresentados projetos para os transportes, para a segurança, para a urbanização, etc, etc. Mas estes não foram discutidos com a população. O projeto não pode ser destes ou daqueles governantes, mas sim dos cidadãos. O cidadão carioca deve ser consultado sobre o que precisa ser feito pra melhorar a cidade. E eu falo o carioca, não simplesmente o morador da Barra ou de Copacabana. O morador de Parada de Lucas, de Olaria, de Irajá, de Campo Grande, de Sepetiba, de Bangu, de Benfica, enfim, aqueles 70% ou mais que sempre são esquecidos, apagados como cidadãos.



OS PROBLEMAS DO PROJETO



Eu proponho que através das audiências públicas do Plano Diretor seja aberto ao povo a participação nos projetos que sacudirão a cidade para 2016. Eu, como morador de Campo Grande, quero saber o que mudará para mim com tantos bilhões sendo canalizados para estas grandiosas obras.



Os transportes são minha preocupação principal. E me preocupa mais ainda o que está planejado. Estão previstos, pelo menos, R$11.000.000.000,00 para os transportes, mas esta dinheirama toda parece que em NADA vai afetar o morador da Zona Oeste. E o transportes mais eficiente, prático e com o melhor custo-benefício, segundo os especialistas mundiais, não será o foco: o metrô.

A desculpa sempre para não se investir em metrô é que é muito caro, que custa cerca de 200 milhões por quilômetro, e que não há dotação possível em nenhum cidade para um investimento maciço em redes de metrô. Mas desta vez é diferente. Estão previstos 11 bilhões apenas para transportes em uma única cidade, em um período de apenas 7 anos. É um orçamento que nunca vimos, e talvez não veremos ainda neste século novamente. Daria para produzir, por exemplo 55 quilômetros de metrô, ou a distância do centro da cidade até Santa Cruz, e sobraria. Daria para transformar os trens em metrô de superfície, com melhorias das vias, integração da rede ao projeto urbanístico da cidade (não tem coisa mais feia que estes muros decrépitos cortando a cidade inteira), modernização dos trens, com ar, tv, acessibilidade, número e oferta razoável.



Enfim, as alternativas são muitas, só não podem ser desperdiçadas. E é exatamente o que está sendo planejado. O projeto prevê uma diversificação desorganizada dos investimentos. Foi feito por um projetista da Barra, só pode. É como se o bairro fosse o centro do mundo. Todos os investimentos convergem só pra lá. E pior, são investimentos que irão melhorar os transportes só para o morador de lá, e não reorganizar o transporte de toda a cidade. Ou seja, se você mora em outro bairro, e quer ir pra Barra, continuará com dificuldadedes. Só vai melhorar se você mora na Barra.



O projeto pro metrô, originalmente na proposta olímpica, prevê que o Metrô vá até Botafogo (!!), ou seja, vai contemplar um região rica e servida de inúmeros benefícios urbanísticos. É importante, mas só isso? Vão construir o que, 2, 3 estações? E tem os VRTs, que são um projeto bacana, vitorioso em Curitiba, mas que ainda insiste no transporte rodoviário, que está se saturando e não é o mais viável para o futuro.



E os VRTs previstos são um que liga a Barra à Penha, outro que liga a Barra a Magalhães Bastos (o mais perto de atender a ZO), outro que liga a estação final do metrô a ser construída, na Zona Sul, até a Barra (de novo). Não sei de nada pra solucionar a Avenida Brasil, a Linha Vermelha, a Grota Funda e muitas outras vias arteriais do Rio. O que será feito na Leopoldina afinal? O prefeito fala em revitalização da Zona portuária, com a derrubada de parte da perimetral, mas e o que será feito com a Perimetral, com a Francisco Bicalho?



Links sobre o tema:

  • http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI96507-17445,00-COMO+SERAO+OS+JOGOS+OLIMPICOS+NO+RIO.html
  • http://portalexame.abril.com.br/economia/olimpiada-rio-exigira-investimento-ao-menos-us-14-4-bi-502794.html
  • http://colunas.epoca.globo.com/guilhermefiuza/2009/10/02/2016-a-miragem/



PARTICIPAÇÃO POPULAR



E eu trago o problema de novo para o quintal de casa: E eu, como morador de Campo Grande, o que ganho com isso? E o morador de Santa Cruz, de Bangu, de Realengo... e nós, mais de 2 milhões de habitantes eleitores desta região esquecida? Não somos a região “Assistida”, segundo o próprio prefeito? Vou continuar tendo que pegar ônibus superlotado, de uma empresa sequer licitada, monopolista, enfrentar vários engarrafamentos e mais de uma hora de viagem pra chegar ao centro? E um ônibus que é obrigado a dar a volta ao mundo, subir uma montanha inteira, pra poder chegar na Barra, que é logo ali do lado? Metrô nem pensar né?



Enfim, nós moradores da região devemos nos organizar desde já para cobrar nossa parte neste bilionário bolo. Devemos ao menos nos proteger do que eu frisei, no texto anterior sobre este tema, de sermos o subúrbio da Barra, o local de despejo do “novo centro do Rio”.



É necessário que façamos assim como fazem os moradores de Botafogo, de Copacabana, assim como fazem as associações comerciais da Barra: lutar, participar. Temos que inicialmente buscar informações sobre o que está sendo planejado, detalharmos os problemas e propormos alternativas. Precisamos elaborar projetos nossos, consistentes, integrativos.



Vamos nos organizar, marcar reuniões, procurar a subprefeitura, ir às audiências públicas, acionar os parlamentares, e por que não, fazer proposições através de ação popular.



Vamos à luta!



NOTA: Aliás, um detalhe importante foi a presença, lá em Copenhagem, na cerimônia, compondo o comitê brasileiro, do deputado estadual Coronel Jairo (PSC) e do vereador Jorge Filipe (PMDB). Algo que chamou muito a atenção, dentre tantas autoridades como Governador, Presidente, Prefeito, Senadores, Ministros, dois parlamentares locais de nossa região. Estes são os dois primeiros que devemos cobrar.

Movimento Zona Oeste

Mapa do Rio: Esqueceram a Zona Oeste... mas lembraram da Barra.





Começo aqui uma campanha em defesa da Zona Oeste de fato, aquela composta por bairros tradicionais como Realengo, Bangu, Campo Grande, Santa Cruz, e suas circunvizinhanças, tais como Santíssimo, Inhoaíba, Cosmos, Paciência, Sepetiba, etc. Estes bairros que compõem a verdadeira Zona Oeste, e não aquela que os governos usam para dizer que fazem algo pela região: Barra e Recreio.

Não que a Barra e o Recreio não pertençam à Zona Oeste no nosso mapa, mas de certo não são de forma alguma pertencentes à mesma realidade social, política e econômica. Não é mais cabível que os governantes digam que investiram milhões na região, quando de fato, foi investido apenas na Barra da Tijuca, e nada em Campo Grande ou Bangu.

A prefeitura, que hoje está sob a administração de Eduardo Paes (PMDB) classificou a região como “Assistida”, e separou a Barra e Recreio como “Regulada”. Ou seja, a própria prefeitura reconhece a existência de duas Zonas Oeste, uma tradicionalmente reconhecida como carente, abandonada, descuidada pelo poder público, e outra, a Barra e Recreio, superabundante em investimentos, hospitais, escolas, serviços, assistências, para onde todos os investimentos atuais, sejam públicos ou privados, convergem naturalmente.

É de maior destaque ainda a consciência coletiva, recentemente avalizada pelos governantes, do projeto de Lucio Costa de transformar a Barra no novo centro da cidade, deslocando-o da atual localização, próximo da Baia de Guanabara.

Nós, moradores, defensores e militantes em defesa da Zona Oeste, com claridade de nosso papel social, que é de desfazer e minimizar os males históricos a nós impostos por todos os governantes que já passaram, sejam no Estado, no Município, ou seja na época que éramos capital federal, somos favoráveis à descentralização econômica, política e social da cidade, que hoje vive encurralada entre a Rio Branco e a Presidente Vargas, em prol de uma maior divisão do produto social e cultural da cidade com todos os cidadãos, em especial os moradores da Zona Oeste, sempre preterida em nossa história.

Somos também favoráveis a inserção de nossa cidade cosmopolita na modernidade, com espaços mais planejados, transportes organizados, integrados com o plano diretor em desenvolvimento, e ao mesmo tempo, garantindo a preservação do patrimônio histórico e arquitetônico que temos nas ruas do centro do Rio.

Mas estamos atentos e preocupados com os desdobramentos que essas mudanças parecem tomar. É com muitas dúvidas que acompanhamos os projetos anunciados por conta da Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, que não incluem em nenhum momento toda este região da cidade, que representa mais de 40% de seu território total. É com pasmo que verificamos que todos os projetos parecem apontar para a Barra e o Recreio, sem incluir Campo Grande, com seu meio milhão de habitantes, ou Bangu e Santa Cruz, com outro meio milhão, em nenhum projeto urbanístico, de transportes, edifícios ou aparelhos públicos, tais como escolas, hospitais, áreas de esportes, enfim, totalmente esquecido e abandonado.

E é com indignação que denunciamos as declarações das autoridades públicas que alegam que estes eventos serão divisores de águas na cidade, tirando-o de longos anos de abandono e desordem, e colocando-a no futuro ordenado e próspero. E a Zona Oeste? Será deixada para trás, no século passado? Será extirpada do progresso da cidade? Voltará a ser a Zona Rural, dormitório para a classe pobre que serve os senhores da Zona Sul?

E denunciamos também um movimento automático que se desenvolverá caso nada seja feito: o de favelização da Zona Oeste. Enquanto a prefeitura se preocupa em derrubar edifícios irregulares (invariavelmente na Barra) e o Estado em ocupar favelas com sua “pacificação”, a concentração econômica e comercial da Barra trará para os bairros próximos o exército de trabalhadores desfavorecidos, e sem planejamento ou ordenamento urbano por parte dos órgãos públicos, o que veremos é a construção de milhares de moradias irregulares, sem saneamento básico, saúde, educação, transporte ou segurança.

Construir gigantes arquitetônicos como a Cidade da Música e outros é bonito e traz votos, mas é necessário se importar com os efeitos colaterais. Se haverá um “bum” de crescimento na região da Barra e Recreio, o que será feito com os novos habitantes e transeuntes da região? O que será feito com o acréscimo na poluição do ar, das águas, do som? E com o trânsito, com a segurança?

Enfim, é neste intuito que este movimento está sendo lançado; Não em criar uma rivalidade entre os moradores das diversas regiões da cidade, mas sim em lutar contra as desigualdades a que são submetidos os habitantes da Zona Oeste. E esta empreitada será levada a diante através de estudos das verbas que serão aplicadas para a realização tanto da Copa do Mundo como para as Olimpíadas, assim como o desenrolar do Plano Diretor da cidade, a averiguação do que está sendo destinado para a região e para as demais da cidade, da mobilização social, através de associações, ongs, etc, e o acompanhamento das audiências públicas e da atuação dos parlamentares.

Este é um movimento suprapartidário, destituído de qualquer caráter religioso, racial ou qualquer sectarismo social, e visa agregar, produzir e disseminar informações a respeito da Zona Oeste, sempre em sua defesa.



Rio, 29 de Setembro de 2009



Samuel Braun P. Lima

Bancário, Sindicalista e Sociólogo

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