A falta de planejamento estratégico, os desmandos das autoridades e o alto índice de corrupção na polícia do Rio de Janeiro foram alguns dos ingredientes que levaram a cidade a chegar ao caos em que se encontra a segurança . O cidadão que trabalha arduamente para levar uma vida com um mínimo de conforto possível hoje está refém da marginalidade.
Se andar de ônibus, é assaltado; se opta pelo automóvel, tem o seu veículo queimado por pura maldade. Enquanto as autoridades discursam sob as luzes dos holofotes, a população está reclusa em suas residências ou caminha aterrorizada, rezando a Deus para chegar em casa em segurança. Crianças ficam dias sem aula, por causa de constantes tiroteios e eles continuam discursando, enquanto os bandidos atiram.
A marginalidade perdeu o respeito pela polícia, até porque hoje, diante de diversos acontecimentos, fica difícil distinguir quem é polícia ou quem é bandido. Jogam a culpa no "abandono de 40 anos", mas esquecem que sempre participaram de governos passados e nada fizeram.
Para aqueles que vivem no Rio, lamentavelmente sobrou a obrigação de pagar os impostos e mais nada. Cariocas, não percam a esperança, porque o Rio de Janeiro tem uma saída: o aeroporto. Porque se pegarmos a estrada, certamente seremos assaltados.
Artigo do leitor José Carlos Pereira de Carvalho Este artigo foi escrito por um leitor do Globo.
Há muitos anos a população do Rio de Janeiro tem que conviver com a beleza e o caos da violência do tráfico de drogas. Toroteios, arrastões, assaltos, facções criminosos. Esses e outros acontecimentos já se tornaram "normais" no dia-a-dia dos cidadãos. O histórico de violência constante fez com que as pessoas se acostumassem e se tornassem passivas diante dos crimes, acostumando-se a viver com eles. Essa é a análise feita pelo psicólogo ouvido pelo SRZD, Mauro Paiva.
O psicólogo acredita que a população de todo o estado anda muito passiva e não protesta contra a situação caótica na segurança, e em que em nenhum outro país "onde as pessoas são um pouco mais politizadas, essa situação seria tolerada, a não ser em tempos de guerra, e, mesmo assim, o que nos mostra a história é o engajamento da populção formulando modos de resistência, o que não vemos por aqui, infelizmente".
Consequências psicológicas
Mauro Paiva acredita que a atual situação na cidade pode provocar alta ansiedade, síndrome do pânico e medo patológico, tudo isso porque "pessoas que têm uma maior fragilidade emocional e psíquica pode ter um "starter" para estes casos, que se ativa a partir do estado de alerta mais intensificado que as pessoas ficam".
Em muitos casos a situação só amenizada com um tratamento, nos casos mais graves dos sintomas. "Nos casos limítrofes, somente com intervenção psicoterápica e em alguns casos, associar a psicoterapia com atendimento psiquiátrico pode ser uma opção mais indicada, para que a medicação ajude a pessoa a debelar a sintomatologia mais presente", acrescentou o psicólogo.
Como escapar desses traumas
O psicólogo também deu caminhos para que a pessoa relaxe mesmo diante de tanta violência ao redor. "Tem que haver um momento aonde a pessoa possa se desligar de todos estes estresses por algum tempo. Por algo em torno de 20 minutos, em que a pessoa possa relaxar,fechar os olhos, respirar profundamente num lugar confortável, tentando esvaziar o pensamento.... Isso pode fazer a diferença entre viver com alguma qualidade, mesmo em meio ao caos, e simplesmente sobreviver se tensionando cada vez mais, dia após dia", acrescentou Paiva.
Segundo Jorge Fontes, sogro dirigia veículo incendiado. Ele conta que crimonosos atearam fogo antes de passageiros descerem.
“Eles atearam fogo sem que ninguém tivesse descido da van”, disse emocionado o genro do motorista de uma van incendiada nesta quarta-feira (24) em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio. Jorge Fontes também dirige uma van na mesma linha e foi chamado para prestar socorro às vítimas pelo próprio sogro.
Segundo Fontes, os criminosos teriam assaltado os passageiros antes de atearem fogo na van. “A princípio, a informação que me passaram foi de que dois criminosos pegaram a van na altura de Antares e, uns 500 metros, depois anunciaram o que seria um assalto. Eles então roubaram os pertences das vítimas, espalharam gasolina e acenderam o fogo sem esperar ninguém descer”, explicou o motorista.
Ao todo, segundo ele, quatro pessoas ficaram feridas. Já a Secretaria estadual de Saúde confirma apenas três atendimentos: o motorista do veículo sofreu queimaduras no braço esquerdo e nos tornozelos; a cobradora da van queimou as pernas e os pés; e um passageiro também teria sofrido queimaduras nas pernas e nos pés.
Sensação de medo Jorge contou que ao chegar ao local do incêndio encontrou seu sogro desesperado. “Quando cheguei o vi chorando, falando que estava com medo de morrer. Ele já trabalha com van faz tempo e essa é primeira vez que isso acontece”, disse.
A onda de violência também preocupa o motorista. “A gente vê essas coisas acontecendo lá pra baixo e nunca imagina que vai acontecer com a gente. Eu trabalho com van durante todo dia. Ando de madrugada, de dia e a gente acaba tendo medo, né?”, disse.
O fogo consumiu todo o veículo, no entanto, segundo Fontes, a van estava no seguro. “Deu perda total. Mas tava no seguro, agora vamos ver como vai ser. Meu primo está lá no local aguardando a chegada perícia”, explicou.
Ônibus também foi incendiado em Santa Cruz Os bombeiros do quartel de Santa Cruz foram acionados para conter um incêndio num ônibus na Rua Felipe Cardoso, próximo do conjunto Cesarão, no mesmo bairro.
No subúrbio, dois carros são incendiados Mais dois carros foram incendiados por criminosos na manhã desta quarta-feira (24). De acordo com bombeiros do quartel de Irajá, o crime ocorreu na Estrada de Botafogo, em Costa Barros, no subúrbio do Rio, no trecho entre as comunidades do Morro da Pedreira e Fazenda Botafogo. De acordo com os bombeiros, os suspeitos teriam rendido os motoristas e mandado eles descerem dos carros, antes de atear fogo aos veículos. Os motoristas não se feriram.
Dez mortos em operações
Dez pessoas morreram durante operações realizadas pela Polícia Militar, na manhã desta quarta em comunidades do Rio. As operações acontecem simultaneamente na cidade, em busca de suspeitos envolvidos nos ataques que ocorreram desde domingo.
Na comunidade de Guaxá, área do Batalhão de Belford Roxo, três pessoas foram mortas. Lá, foram apreendidos um fuzil, uma espingarda e uma pistola. Em Jardim Floresta, na mesma área, quatro pessoas morreram e quatro armas foram apreendidas.
Na comunidade do Faz Quem Quer, área do Batalhão de Rocha Miranda, outras três pessoas morreram. Duas pistolas e um revólver foram apreendidos.
Na Vila Kennedy, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, a Polícia Militar prendeu um homem de 23 anos, que portava duas bombas caseiras, uma granada e gasolina. O suspeito foi encaminhado para a 34° DP (Bangu). Nesta ação, uma moto roubada foi recuperada.
Segundo os agentes, o suspeito, que seria morador do conjunto de favelas do Alemão, disse que estava acompanhado de dois menores. A DH participava de uma investigação, quando avistou os suspeitos correndo por um dos acessos ao Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, próximo do local onde o ônibus foi incendiado. Os menores conseguiram fugir.
Disque-denúncia recebeu 95 ligações Desde o início da nova onda de ataques ocorridos na cidade – com carros e ônibus incendiados e cabines de PM baleadas – o Disque-Denúncia, até a manhã desta quarta-feira (24), recebeu 95 ligações com informações sobre supostos responsáveis pelos crimes. De acordo com o serviço, as denúncias começaram a ser feitas no último sábado (20).
As informações estão sendo filtradas e repassadas à polícia. O serviço não está oferecendo qualquer recompensa pelas informações.
Tiroteios em favelas do subúrbio Uma série de tiroteios em favelas do subúrbio do Rio deixa os moradores e comerciantes em pânico, na manhã desta quarta-feira (24). De acordo com informações da polícia, a PM faz operações no Morro da Fé, no conjunto de favelas da Penha, e no Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho. Os tiroteios são intensos, mas não há informações sobre feridos ou sobre apreensões.
Policiais civis retornaram à favela de Manguinhos, no subúrbio, na manhã desta quarta-feira, onde realizam uma operação atrás de suspeitos de terem participado dos ataques. Houve troca de tiros na chegada da polícia, mas não há informações sobre feridos.
Dois veículos incendiados em Santa Cruz Bombeiros do quartel de Santa Cruz foram acionados na manhã desta quarta-feira (24) para conter um incêndio num ônibus na Rua Felipe Cardoso, próximo do conjunto Cesarão, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio.
Logo em seguida, foram chamados também para conter o fogo que atinge uma van na Estrada Urucânia, no mesmo bairro. Bombeiros dizem que ainda não sabem se os incêndios foram provocados por criminosos. Também não há informações sobre feridos.
13 ataques entre noite de terça (23) e madrugada de quarta (24) Após 13 ataques entre a noite de terça-feira (23) e a madrugada desta quarta-feira (24), a Polícia Militar informou que todo seu contingente está de prontidão. Segundo o relações públicas da PM, coronel Lima Castro, todos os policiais militares foram convocados e o expediente não tem horário de término.
“Toda a Polícia Militar está de prontidão. O esquema anterior era de redução de folgas, mas nesse momento todos os policiais que estavam em casa foram convocados e o expediente não tem hora para acabar”, informou o coronel.
“(A estratégia) Não falhou. Fizemos uma reunião no Quartel General, quando foram dadas novas ordens, mas a participação da comunidade é fundamental. Estamos trabalhando em cima de denúncias e checando informações. As tropas continuam nas ruas e daremos seqüência ao trabalho hoje. Vai ser feito uma reunião para que se verifique se os horários tem que ser trocados, policiais remanejados e definir esses locais. Já temos alguma coisa preparada desde ontem”, disse o Relações Públicas da PM, coronel Lima Castro.
Os novos ataques aconteceram em diferentes pontos do estado. Segundo a PM, os crimes aconteceram na Dutra; no Rio Comprido, na Zona Norte; no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste; em Belford Roxo e em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense; e em São Gonçalo e Niterói, na Região Metropolitana.
Desde domingo, três cabines da Polícia Militar foram baleadas e aconteceram, no total, 22 ataques, com 23 veículos incendiados, sendo 14 nas últimas 24 horas. Outros dois veículos encontrados em chamas ainda têm o incêndio invetsigado para verificar se há relação com os ataques.Os locais alvos de violência foram a Linha Vermelha, a Via Dutra, Irajá e Del Castilho, no subúrbio; Tijuca e Estácio, na Zona Norte; Laranjeiras e Lagoa, na Zona Sul