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Heloisa Helena deve se juntar à Marina Silva

Assim como outros nomes do PT, PDT e vários partidos, Heloísa Helena, presidente nacional licenciada do PSOL declara apoio à Marina Silva.

A vereadora de Maceió Heloísa Helena (PSOL) se dispôs a ajudar a ex-senadora Marina Silva em seu novo projeto político fora do PV. Pela amizade de longa data, Heloísa Helena chegou a se indispor com o PSOL em 2010 por defender o apoio do partido à candidatura de Marina à sucessão presidencial. Embora não confirme a intenção de deixar o PSOL, a vereadora deixa claro que quer estar próxima da antiga companheira do PT. "Caso ela resolva criar um movimento nacional que possa ou não culminar com a construção de um novo partido - e se ela quiser ou precisar da minha ajuda ou mesmo de militantes de qualquer partido ou sem partidos -, entendo que é legítimo que possamos democraticamente ajudá-la", admitiu.
Em entrevista por mensagem de texto, Heloísa Helena diz que vem mantendo contato com Marina e que sua relação com a ex-colega de Senado é de afeto e respeito político. "É absolutamente normal que conversemos sobre todos os assuntos", afirmou. A vereadora disse que pode colaborar com a construção de um novo partido, independentemente de continuar ou não no PSOL. "Muitas pessoas nos ajudaram com suas assinaturas e seu trabalho para a construção do PSOL mesmo sem total identidade ideológica conosco e sem compromisso preliminar com filiação ou militância - apenas por respeito às nossas histórias de vida e por compromisso democrático."
Aliados próximos de Marina afirmam que a retomada do Movimento Brasil Sustentável vem sendo discutida apenas com os companheiros do PV insatisfeitos com a sigla e que não há conversas formais com Heloísa Helena. Deste movimento político deve surgir um partido em 2013, cujas bandeiras para 2014 serão o verde e a cidadania. "Certamente a Heloísa Helena poderia dar uma grande contribuição neste processo", comentou João Paulo Capobianco, que foi coordenador da campanha de Marina Silva.
De acordo com Capobianco, Marina está mais preocupada em esclarecer os grupos da sociedade civil que a apoiaram em 2010 sobre sua saída do PV do que arregimentar nomes para um futuro partido. "A Heloísa Helena sempre foi muito próxima de Marina", desconversou Luciano Zica, que também está de saída do PV.
Heloísa Helena vem de um processo de desgaste dentro do PSOL, partido formado por dissidentes do PT em 2004. No ano passado, como presidente nacional da legenda, Heloísa Helena defendeu abertamente o apoio da sigla a Marina. Sua manifestação causou constrangimento no partido, que acabou escolhendo como candidato à Presidência da República Plínio de Arruda Sampaio.
"Não vou negar a importância que Marina tem, não apenas pessoalmente, no meu coração, mas por ser a grande chance que o Brasil tem de promover um debate sério sobre o desenvolvimento econômico sustentável com responsabilidade social", defendeu Heloísa na época. Após o fracasso das negociações de apoio ao PV, Plínio derrotou o pré-candidato de Heloísa Helena (Martiniano Cavalcante) nas prévias e sugeriu na ocasião que Heloísa Helena deixasse a direção da sigla, uma vez que ela não apoiava o candidato de seu próprio partido.
Passado o primeiro turno da eleição presidencial, a vereadora, que foi derrotada na disputa por uma vaga no Senado, comunicou seu afastamento da presidência do PSOL por "falta de identidade" com algumas posições da legenda, entre elas o apoio no segundo turno à presidente Dilma Rousseff.

Dilma x Serra. A saga desta eleição:


A eleição 2010 está encerrada. Em algumas horas saberemos quem será o novo, ou nova, presidente do Brasil. E desta vez, certamente não será Lula, para tirar o frio da barriga dos grandes empresários e da direita em geral, e para apreensão da esquerda.
Dia 1º de Janeiro de 2011 será ou Dilma, ou Serra. E por quatro anos. Obviamente vou esperar o resultado para comentar, mas é preciso antes discutir o que nos trouxe até esta escolha entre a primeira mulher com reais chances de ser eleita e a volta ao poder dos tucanos, na derradeira tentativa de José Serra.

Esta eleição começou a 5 anos atrás, antes da reeleição de Lula. Estávamos em plena crise do mensalão, e a oposição adotou a tática do “let burn all”. Teve nas mãos a oportunidade de caçar o prsidente trabalhador, eleito pelos pobres como um messias e enterrar de vez as máximas de governo do povo para o povo. Mas optou por levar tudo, não queria só ganhar, queria humilhar, tripudiar e enterrar de vez o PT e a esquerda em geral. Optou por cozinhar Lula num Congresso esfacelado, envolto em denúncias de corrupção, suborno e propinas. Achavam que chegariam ao ano seguinte com Lula desamparado, sem |PMDB, PTB, PL e nenhum outro apoio que lhe garantisse chances na disputa eleitoral.

Achando assim, preferiram desencadear uma guerra interna, que segundo Sérgio Guerra, era a verdadeira eleição daquele ano: Serra ou Alckmin. Qual dos dois o PSDB elegeria para ser o presidente que o povo aclamaria nas urnas? E a disputa teve todos os requintes de uma eleição de fato: dossiês, cobertura total da mídia, verba de campanha, debates com regras rígidas, alianças políticas, divisão de benesses antes da eleição para aqueles que trouxessem mais votos... enfim, como disse o presidente atual dos tucanos, foi a eleição! Bem, era o que eles achavam.

Como sempre diz Lula, nunca antes na história deste país, um presidente soube ser maior que o próprio  partido, que o Congresso e não sucumbir ao poder. Lula parace ter visto uns 5 anos a frente em sua bola de cristal, e tomou a difícil decisão de cortar a cabeça de todos os líderes que o apoiavam. Caiu Dirceu, Gushiquem, Pallocci, Genoíno, Delúúúbio (quem me conhece entende...) e por aí vai. O primeiro e até diria eu o segundo escalão foram pro saco. Ele assumiu tudo sozinho, e convenceu o país que havia sido traído (sem contudo nunca ter dito isso) e que a partir de agora só ele mesmo poderia reconduzir a nação ao rumo certo pra longe da volta da ditadura, ou das “zelites”. Começou ali a traçar um novo rumo para o governo e para o partido. O campo majoritário do PT agora era sinônimo de corrupção, como “xerox” é de fotocópia, quase não se sabia qual a  diferença semântica.
Assim, ele estava agora acima do partido e das forças congressuais e estatutárias deste. Escolheu pessoas sem currículo político e, claro, sem votos, para ocupar os ministérios e secretarias. Foi ele mesmo buscar apoio na base desalinhada, chamou o PMDB e lhes disse: agora vocês são governo! Faltando meses para a eleição, ele era a única saída para a esquerda, e sabia disso. Correndo por fora, só Ciro Gomes, no PSB, e Garotinho, no próprio PMDB, mas sem conseguir o milagre de transformar o PMDB num partido, e não em vários, como sempre foi.
Ciro era aclamado por onde ia, era a jóia da coroa socialista, mas não tinha tempo de TV e nem um partido minimamente corajoso para bancá-lo. Garotinho foi sabotado pela ala fisiologista do PMDB (não, não são os 99% que estou falando, é só os caciques) liderada por Sarney e Renan Calheiros. Lula então, construiu naturalmente seu nome como única alternativa, quase messiânica.
O PSDB agora já se preocupava um pouco, pois a guerra interna tinha deixado mágoas e desgastes, e o partido não vinha mais com a força que achava que tinha. Além disso, a fritura que planejavam no governo já não funcionava mais, e mesmo com novos escândalos sendo preparados ou requentados, não faziam mais impacto na opinião pública.
O resultado, todos sabem, Lula foi reeleito no segundo turno, e agora só não mandava sozinho porque tinha que tomar café da manhã, almoço e jantar com Sarney e Renan Calheiros. Dentro do governo e do PT, não havia ninguém, era um vácuo. E a preocupação já existia no dia 2 de Janeiro, pois em política, como sabem, o mais importante é manter o poder, e o primeiro ato depois de ser eleito, é preparar a próxima eleição. Quem seria? O PDT se mexia, achando que poderia agora fazer um bloquinho com o PSB e PCdoB. O PSB também, só que com Ciro. Até o PCdoB achava que podia fazer graça. Os PMDBs não achavam nada, estavam felizes e contentes preenchendo as fixas de indicação nas estatais e etc.
Começou então a novela do terceiro mandato. Quem poderia suceder Lula? Quem sucederia o gênio popular? Talvez Pelé... não, não, ele não tem tanto carisma e apelo popular... Quem então? Ah, sim, Lula! O PT queria, a mídia dizia, a oposição se contorcia, Chávez apoiava... sim, só podia ser Lula de Novo com a Força do Povo!
Mas Lula manteve em banho-maria. Foi governando e construindo silenciosamente sua candidato. Uma certa ministrazinha que nem foto teve publicada em jornais quando sucedeu a bombástica queda de Zé Dirceu. Ela sempre estava lá, nas reuniões ministeriais, mas deviam achar que era uma secretária, uma servidora do Palácio do Planalto. Algumas vezes ela dava entrevista a meia-dúzia de jornalistas que após perguntarem ao cerimonial, descobriam quem era a ministra chefe da casa civil.
E aí, não se sabem bem onde nem quando, ela começou a aparecer em todos os eventos. Alguma fonte interna vazou que Lula poderia não concorrer (BLASFÊMIA!!!) e que a Dilma Roussef, pois naquela época ela era uma ilustre desconhecida, não era tratada intimamente só pelo primeiro nome, poderia ser a candidata do PT. HAHAHA!!! A oposição ria e mais uma vez achava que já tinha ganhado! Uma crise mundial prestes a se abater no Brasil, o PT ia de Dilma num-sei-que-lá e desta vez o tucanato estava unido, quem sabe por uma chapa puro-sangue, ou melhor, café com leite: Serra e Aécio.
Mas a crise foi mesmo uma marolinha aqui, os resultados econômicos e sociais eram cada vez melhores e surpreendentemente Dilma crescia nas pesquisas. O maior alento do PSDB era Ciro ser candidato e deixar Dilma pra trás, ou ainda, ela ser um desastre público com sua inexperiência eleitoral.
Começaram a eleição com aquela coisa de time grande contra time pequeno: Na hora certa a gente faz os gols e vira o placar, calma, calma. Mas o tempo passava, passava, e surpreendentemente Dilma também passou Serra. Não foi um fiasco como eles esperavam a apresentação pública de Dilma, e Serra provou ser um político aquém de suas pretensões e de sua fama; Não conseguia vencer uma pessoa que nunca tinha disputado nem debate pra síndico de prédio. Marina foi um fator decisivo neste xadrez, e Plínio fazia os debates serem tão imprevisíveis que tiravam a atenção do candidato de oposição que ali estava pra ser oposição, mas não sabia como. E Plínio deitava e rolava.
Na reta final do primeiro turno era dada como certa a vitória de Dilma, mas uma polêmica que tratarei num próximo post, o aborto e a religiosidade nas eleições, além do crescimento mais que esperado, ao menos por mim, de Marina Silva, que também gostarei de tratar no próximo post, fizeram este segundo turno, que se encerrou a 52 minutos atrás no Brasil deste fuso horário.
Assim, chegamos a eleição entre Dilma, e o Zé, que depois voltou a ser Serra-do-bem, numa versão pitoresca de Lulinha-paz-e-amor. Não adianta se indignar, xingar a democracia, mandar e-mails pro Bolsonaro e pedir pra ele preparar a volta dos militares, não adianta dizer que o Tiririca podia ser o presidente. Ou é Dilma, ou é Serra. Saberemos antes da meia-noite deste crepuscular dia das bruxas!

Debate p/ Governador no Rio 12/08


Cabral    -           Gabeira     -        Peregrino       -     Jefferson

O debate transcorreu como esperado, com os três candidatos de oposição mirando suas críticas no candidato à reeleição Sérgio Cabral, e este buscando encontrar em sua administração detalhes positivos mesmo diante das contundentes constatações de problemas feitas pelos opositores.

Cabral usou a tática de surfar na popularidade de Lula e Dilma, com o mesmo discurso de união das três esferas que vem se dando bem nas pesquisas nos últimos levantamemtos, e apontar setores dentro das áreas de seu governo que vão bem.
Em nenhum momento se dignou a responder aos questionamentos e às acusações, usando de uma tática covarde de ora se esquivar das acusações de improbidade de seu governo, como se nada tivesse a ver com o governo, ora alegando que as acusações a suas corrupções seriam ataques pessoais, pedindo direito de resposta.
Um dos pontos altos foi protagonizado em debate de Cabral com Peregrino, quando Cabral vergonhosamente ignorou a pergunta e falou por 2 minutos sobre algo que nada tinha a ver com a questão, quando questionado sobre porque chamou os médicos de vagabundos, as mulheres da favela de fábricas de marginais e um menor de idade de otário e sacana. Não respondeu isso, e ainda se indignou a ponto de pedir direito de resposta quando publicaram as relações espúrias de sua esposa com concessionárias públicas, Metrô Rio, Supervia e Facillity.
Na sua opinião, o Rio já está pacificado, a educação em penúltimo lugar nacional está avançando (só se for pra trás), a saúde teve avanços com as UPAs e o transporte está resolvido com o bilhete único. Pediu por fim mais quatro anos para cumprir as promessas que fez. Destaque-se que são as mesmas promessas que fez quatro anos atrás.... agora ele pede mais quatro anos prometendo fazer a mesma coisa que não fez nos últimos quatro.

Fernando Peregrino provavelmente foi o que mais lucrou neste debate. Sem experiência em debates e campanhas majoritárias, o professor que é representante de Garotinho se comportou de uma forma habilidosamente híbrida. Conseguiu passar a imagem de calmo, sereno e competente e ao mesmo tempo foi, junto com Jefferson Moura o mais incisivo e agressivo, trazendo sem falsos pudores para o debate os escândalos do governo.
Não citou Dilma nenhuma vez, citou Lula duas vezes e Garotinho umas 12 vezes, assim como Brizola 3 vezes. Não poupou Cabral, acusando-o de corrupção, enriquecimento ilícito, descaso, preconceito com os pobres e de misturar o público com o privado de sua mulher. Acusou Cabral de levar as decisões do Estado para a cama, com a representante daqueles que prestam serviço ao Estado.
Sua maior crítica ficou no campo da moralidade, se colocando como capacitado e experiente, tendo participado da criação dos CIEPs, Restaurantes Populares, Farmácias Populares, UEZO e FAETEC.
Apesar de novo como candidato, tentou demonstrar ser experiente em administração pública eficiente, colando sua imagem nos programas bem sucedidos e bem avaliados pela opinião pública, assim como tentando avisar aos cerca de 30% do eleitorado que é cativo à Garotinho que ele é o candidato do ex-governador campista.

Fernando Gabeira decepcionou. Confuuso, prolixo, e até em um momento destemperado, Gabeira não iniciou a onda verde que fez em 2008. Tentando uma tática arriscada de ser oposição sem parecer agressivo, Gabeira iniciu tão morno, que quando viu que estava saindo do centro das discussões, se exasperou e quis entrar na celeuma, interrompendo Cabral em direito de resposta que nada tinha a ver com ele. Certo que sua queixa era justa, pois a Band forneceu o segundo direitro de resposta para Cabral de forma equivocada, mas seu destempero só ajudou Cabral.
Gabeira não apresentou uma proposta que ficasse na cabeça do povo, e não percebeu ainda que sua tática de ser o representante da ética e do novo não dará certo enquanto Jefferson Moura estiver junto para poder bradar mais alto sua independência das máquinas públicas. Diferente de 2008 também Gabeira desta vez tem uma campanha sem estrutura, sem empenho e contra um (ou dois) candidato(s) que se apóiam em Lula, numa eleição que Lula vai participar ativamente.
Tentou se consolidar como o candidato da ética e das novas práticas políticas, mas esbarrou no radicalismo de Jefferson Moura que estava sempre disposto a dobrar as apostas de Gabeira, atacando-o de aliado de César Maia e dos tucanos. Gabeira precisa urgentemente repensar sua candidatura. Pelo bem do Rio e da democracia no estado.

Jéferson Moura tentou parodiar Plínio de Arruda Sampaio. Levantou  bandeira do independentismo, do único que não esteve no poder ainda para poder atacar seus adversários e se diferenciar. Falou o tempo todo em nome dos funcionários públicos, principalmente da educação, e também foi muito incisivo contra Cabral.
Não sei se por falta de oportunidade, mas não coube a ele nenhuma das principais acusações, todas feitas por Peregrino. Mas não perdeu chance de repisar as críticas, adicionando um toque de indignação do funcionalismo estadual.
Evidentemente, sua participação não foi tão efetiva como a de Plínio, já que Fernando Peregrino conseguiu puxar o bonde das acusações ignorando todas as críticas à sua relação com garotinho.

Em suma, Cabral pode respirar um pouco aliviado de ter enfrentado candidatos pouco experientes, pois se fosse contra Garotinho e César maia, teria sido destroçado. Mas mesmo assim, deve temer que este seja o início de sua queda, pois agora uma boa parcela da população ouviu sobre escândalos até então calados com muitos milhões em publicidade.
Peregrino tem que soltar fogos de artifício, pois conseguiu colar a imagem de principal crítico de Cabral, passando Gabeira que está bem a frente dele nas pesquisas. Peregrino precisava desta exposição, e a conseguiu sem parecer esquerdóide ou radical, e de quebra conseguiu colar também seu nome ao de Garotinho. Sua formação e currículo talvez tragam para ele alguns votos de Garotinho não conseguiriam. É muito cedo, mas para o primeiro debate, ele teve um grande lucro.
Fernando Gabeira deve estar muito preocupado. Não chou o tom da campanha. Não sabe como se colocar. Está indo ora preá lá ora pra cá, conforme o vento, Não é nem o mais competente, nem o mais crítico, nem  mais popular, nem o mais celebridade. Não se achou ainda, e vai acabar perdendo o bonde da campanha. Precisa colar sua imagem à Marina urgentemente, pois o voto dos tucanos e democratas ele não deve perder, pois estes não tem mais em quem votar pra Governador, e seu titubeio em aderir de vez a Marina está fazendo com que  eleitores dela se diluam em outros candidatos.
Jefferson Moura certamente irá nesta linha até o final. É a linha do PSOL no país inteiro. São um partido novo, sem vínculo com o poder, radicais e com opiniões reformistas. Não poderia o candidato aqui se portar diferente. É um pouco desarticulado, mas deve pegar mais jeito durante a campanha.

Há portando uma tendência em Cabral perder um pouco de sua popularidade desde já, o que deve acentuar no início da propaganda na TV. Imagino eu que ele caia até o final do mês para uns 40% ou 42%, com uma forte subida de Peregrino, que deverá alcançar no final do mês uns 10 a 12 %, Gabeira é uma incógnita, mas não deve cair, e Jefferson Moura não deve passar de 4% Isso que fiz é um pouco de futurologia, mas os números não devem ser muito diferentes não, isso é claro, se o Montenegro não lembrar de pagar a conta de seu filho com Cabral usando o Ibope, né.

Vídeos do debate da Bandeirantes

Vídeos do debate da Band.
Para quem não viu, e principalmente para quem viu, uma pequena edição, tendenciosa é claro, mas reveladora do debate, que fora estes fatos engraçados, foi o pior que o Brasil já viu. Nível baixíssimo.



O debate da Band.


O debate da Band.

Na minha avaliação, os grandes vencedores deste debate foram José Serra e Plínio de Arruda Sampaio, e a grande derrotada foi Dilma Roussef. Marina apenas perdeu uma grande chance de se mostrar como o diferencial, uma terceira via. E isso, era tudo que ela poderia esperar pra sua campanha... portanto, perdeu muito também.

Dilma Roussef demonstrou claramente que não sabe se portar na frente das câmeras e num debate. Gaguejou, repetiu a palavra “questão” mais de 10 vezes em menos de 2 minutos e em todas as suas falas, virou de costas e de lado para a câmera e só olhou “no olho” do espectador após 1 hora de debate (e possíveis puxões de orelha dos acessores). Em certo momento Plínio chegou a externar o que estava latente, que parecia que a candidata do PT, que melhor defendia o governo e melhor representava a filosofia política petista era Marina Silva.

No momento mais favorável à Dilma, quando da pergunta de um jornalista sobre as privatizações, e que era a hora de Dilma se diferenciar de Serra e acusá-lo de privatista, ela conseguiu ficar na defensiva tentando se explicar sobre suposta afirmação sua favorável à privatização das telecomunicações, que Serra recordou. Serra conseguiu sair de acusado para acusador.

Dilma também não conseguiu apresentar nenhuma proposta que ficasse na cabeça do telespectador. Apenas falou de UPP e UPA, e deu outros nomes à propostas apresentadas por Serra e Marina. Um desempenho pífio, para não dizer assustador e vergonhoso da candidata que representa um dos melhores, se não o melhor, governo brasileiro, com recordes de aprovação e com quase todos os números favoráveis, e que está liderando todas as pesquisas. É inequívoca prova de sua inexperiência e falta de habilidade política-eleitoral, que ela terá pouquíssimo tempo para corrigir.

José Serra foi no caminho seguro. Não se arriscou, não saiu em defesa do governo FHC, apenas de suas ações naquele governo e de seu governo em São Paulo. Não foi também confrontado em nada, tendo tido amplo espaço para atacar Dilma de forma tão sutil que não lhe tirou a áurea de superior, melhor, que deseja passar. Se prendeu demais ao tema de saúde, que provavelmente irá explorar bastante por sua atuação positiva quando ministro desta área.

Serra provavelmente foi quem saiu efetivamente melhor deste debate, pois conseguiu desestabilizar sua adversária principal, permaneceu e reforçou sua tese de que ele pode fazer mais, que é mais experiente. Conseguiu até desfazer um pouco a imagem de sério, carrancudo, quando citou sua filha, sorriu abertamente e até chorou citando um passado pobre que quase ninguém tinha ouvido falar de sua vida.

Marina Silva, como disse, perdeu em não saber ganhar. Entrou e saiu do debate incólume. Quem a apoiava teve a certeza de que ela é uma ba candidata, muito concisa e coerente, e que conhece bastante da máquina pública nacional, não é uma aventureira. Mas sua missão no debate não era essa. Era se colocar como uma terceira via, uma alternativa, se diferenciar de Dilma e Serra. Sua missão era arrebanhar os votos que Dilma deixou pra trás neste debate, não sabendo se colocar como mulher e candidata do governo. Marina não conseguiu se sobressair muito por causa de Plínio Arruda, que com um discurso forte, e uma habilidade típica dos debates antigos, bem cênico, atraiu a atenção.

Marina em certos momentos parecia ser realmente a candidata do PT, do governo. Sabia dados importantes do governo, defendeu ações deste governo, falou uma linguagem de esquerda que soa muito mais parecido com o ideário do PT do que o tecnicismo e economicismo de Dilma. Marina conseguiu consolidar sua posição de mulher, evangélica e ambientalista, apesar de ter falhado em não ter feito analogias e metáforas que fizessem os eleitores perceberem isso de forma mais marcante.

Plínio Arruda Sampaio foi uma grata surpresa. Não que duvidasse de sua capacidade intelectual, mas sim de seu vigor físico e velocidade de resposta. Sua pequena tradição em debates também não revelava um debatedor tão afiado como foi neste. Soube em todas as falas destacar qual era sua diferença pros demais. Não há, penso, ninguém que tenha visto o debate com atenção que não tenha saído dele sabendo porque aquele velhinho é diferente dos outros. Se o discurso de esquerda radical, tradicional e bem estudado fará efeito nesta massa de eleitores desacostumados com este panfletismo, isso não sei, mas certamente ele conseguiu se colocar como alternativa para o voto de opinião, e para o voto de protesto também. Sua postura de socialista típico, defendendo terras pra todos (sem contudo ter conseguido mostrar para o urbanizado brasileiro qual importância disso), emprego e divisão de renda, assim como a substituição quase imperceptível da palavra socialismo pela palavra justiça social, ou igualdade social, o conduziram ao personagem mais interessante do debate. Eu terminei o debate associando sua imagem à palavra igualdade, de tanto que ele a usou. Ele conseguiu interagir com o telespectador. Usou de recursos neurolinguisticos, fazendo quem estava em casa imaginar um muro (que separa os pobres dos ricos), ou fazendo convincentemente que fosse visto uma semelhança entre Dilma, Serra e Marina e uma diferença nele para os demais. Usou um tom mais descontraído, chamou Serra de hipocondríaco, ignorou Dilma claramente e nomeou Marina como representante do PT, além de taxá-la de capitalista.

Foi agressivo, mas com classe. Se arriscou, mas compensou isso deixando claro ao público que fazia isso porque era preterido nos debates. Pra um senhor de praticamente 80 anos, se mostrou um sábio (que de fato o é) e um destemido, ma medida que foi o único que se expôs, coisa que Marina não teve audácia de fazer.

De resumo, fica a decepção com Dilma, e o medo de que ela acabe elegendo Serra mesmo com tudo a favor dela; um reconhecimento da habilidade de Serra de posar de democrata e de colocar irretocavelmente sua tática de parecer mais preparado em ação; uma grata surpresa de ver um debate sociológico de profundidade trazido a debate por Plínio, e de forma tão fluida e fácil, e uma incógnita de como Marina se portará daqui pra frente pra não perder o bonde da campanha, pois ela tem que fazer o Brasil conhecer quem ela é, já que só 5 a 10% do país sabem o que ela representa e quais são suas propostas.

Aguardemos a próxima pesquisa eleitoral para repercutir em números este que além de ter sido apenas o primeiro debate, com o clima eleitoral ainda morno, foi também muito prejudicado pela concorrência do jogo da semifinal da Libertadores entre São Paulo e Internacional.
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