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Ex-ministra Marina Silva diz em Berlim querer criar novo modelo de política


A ex-ministra brasileira do Meio Ambiente Marina Silva afirmou que há no mundo uma crise que pede uma “nova forma de fazer política”, ainda inexistente. “Para onde olhamos, vemos que a linguagem política suscitada pelo socialismo e pela revolução francesa ficou defasada, e que algo novo pode estar surgindo, que não foi transformado ainda em palavras e em estrutura”, afirmou a ex-candidata à presidência do Brasil, falando na noite de sexta-feira (01/07) para um auditório de cerca de 200 pessoas em Berlim.
Usando formulações mais próximas ao vocabulário filosófico do que ao jargão político, Marina deu a entender que a novidade ainda está para ser revelada. “Ainda não sei o que é, mas a nova fórmula está na forma do não dito no mundo inteiro”, teorizou.

“As pessoas querem uma nova forma de fazer política e novos modelos de desenvolvimento, e também uma palavra nova”, comentou, durante um debate sobre política ambiental brasileira, promovido em Berlim pela Fundação Heinrich Böll, entidade ligada aos verdes alemães. 

Lula e Dilma: ex-ministra lembrou avanços na gestão do PTDurante o debate “Crescimento verde no Brasil?”, ela ressaltou as conquistas da política ambiental brasileira. “O Brasil foi o primeiro país em desenvolvimento a assumir voluntariamente uma meta de redução de 36% das emissões de efeito estufa”, ressaltou.
A ex-ministra lembrou que o país possui 45% de sua matriz energética composta por energias limpas e que o etanol pode ser uma contribuição importante para o meio ambiente mundial “contanto que não comprometa ecossistemas, a segurança ambiental e setores sociais”.
“Mesmo o oponente faz coisas boas”
Os elogios ao governo brasileiro provocaram estranhamento em parte da plateia. “Não sou otimista nem pessimista, sou persistente”, justificou, em resposta a uma pergunta do auditório em relação a uma suposta falta de críticas em seu discurso, com relação à atual gestão. Ela aproveitou para dar uma pista a mais sobre o que seria uma “nova política”. “Muita gente esquece que mesmo o seu oponente faz coisas boas. Essa é a velha forma de fazer política”, explicou.
Marina Silva atribuiu a aprovação do texto do novo Código Florestal pelo Congresso, apesar da impopularidade da nova regulamentação, a um “descolamento” do sistema político em relação à sociedade brasileira, lembrando que quase 80% da população são contra a nova lei, segundo sondagens.
Por isso, conforme a ex-senadora, o “sistema político precisa buscar novas linguagens e estruturas”. E lembrou que seu sucesso, obtendo o terceiro lugar nas eleições presidenciais do ano passado, é mais uma prova do crescimento da mentalidade ecológica no Brasil e da receptividade do eleitorado a novas alternativas.

Marina Silva deixa PV na quinta


Marina Silva deixa PV na quinta

Anúncio será feito durante evento em São Paulo; Aliados da ex-candidata à Presidência da República também sairão da legenda

A decisão está tomada: depois de quase dois anos no Partido Verde (PV), a ex-senadora Marina Silva anunciará, nesta quinta-feira, sua desfiliação. Em evento em um espaço cultural em São Paulo, mesmo local em que eram feitas reuniões políticas e entrevistas coletivas durante a campanha presidencial de 2010, Marina reunirá seus principais aliados para oficializar a saída. No mesmo dia, ela inicia um debate para criar o Movimento Verde de Cidadania, nome provisório da entidade civil que servirá de teste para a nova legenda que o grupo deve criar após as eleições de 2012 - uma espécie de pré-partido.
Marina está na Alemanha desde a semana passada para participar de um encontro de partidos verdes de todo o mundo. Antes de viajar, ela já havia se reunido com amigos para pedir opiniões sobre sua saída. Apesar de já haver sinalizado diversas vezes a intenção de deixar o PV, a ex-senadora ainda não tinha certeza se deveria desistir de tentar mudar a estrutura da legenda. Nos últimos dias, em conversas com os integrantes do grupo Transição Democrática, surgido em oposição ao presidente José Luiz Penna, veio a certeza.
Os marineiros menos otimistas convenceram a ex-parlamentar de que o embate dentro do partido já é inútil. Desde março, Penna não deu qualquer sinal de que aceitaria as sugestões dos companheiros de Marina nem abriria mão da presidência. Um a um, os integrantes do grupo foram jogando a toalha um a um. O primeiro grande nome a tornar a desistência oficial foi o ex-candidato ao governo de São Paulo Fábio Feldmann, que divulgou carta na última quinta. 
Aliados - Junto com a ex-candidata à Presidência e seus 20 milhões de votos, deixam o PV aliados como os empresários Guilherme Leal e Roberto Klabin, o ex-coordenador da campanha presidencial João Paulo Capobianco, o ex-presidente do PV de São Paulo Maurício Brusadin, os ex-candidatos ao governo paulista Fábio Feldmann e ao Senado Ricardo Young, o ex-deputado federal e ex-petista Luciano Zica e o ex-presidente do Ibama Basileu Margarido Neto.
Uma segunda parcela do grupo Transição Democrática que tem um mandato ou pretende se candidatar nas eleições municipais irá apenas se afastar de atividades partidárias. "Eles saem do PV de alma, mas não de corpo", comenta um dos aliados de Marina. Esse é o caso do deputado federal Alfredo Sirkis (RJ), atual vice-presidente da legenda. Os outros integrantes do Transição Democrática continuarão filiados, ainda tentando conquistar espaço para mudanças.
Maurício Brusadin deve divulgar sua carta de desfiliação nesta terça. "A saída não será em manada nem haverá uma orientação fechada. Parte do grupo não volta atrás, como eu, mas a opção é de cada um", comenta. Brusadin renega o termo "pré-partido" para o movimento que será criado pelos dissidentes verdes. "Não vamos deixar de fazer política, pelo contrário. Mas vamos fazer isso de forma mais ampla, porque entendemos que esse modelo de democracia partidária não dá tudo o que a sociedade digital demanda porque está ultrapassado", explica. "Não dá para montar um partido sem fazer um amplo debate com a sociedade".
Para melhor esclarecer, veja matéria a respeito do Movimento Verde e Cidadania, da semana passada na VEJA.

Marina Silva e aliados preparam criação de 'pré-partido'

Grupo, batizado temporariamente de 'Movimento Verde de Cidadania' será teste e abrigo para ideias de marineiros até que legenda oficial possa sair do papel

Adriana Caitano
Marina Silva: decisão sobre permanência ou saída do PV só sai na semana que vem
Marina Silva: decisão sobre permanência ou saída do PV só sai na semana que vem (Fernando Cavalcanti)
Enquanto não anunciam a cada vez mais próxima saída em bando do Partido Verde (PV), a ex-senadora Marina Silva e seus aliados decidiram criar um grupo para servir de cobaia para um futuro partido. Batizado provisoriamente de "Movimento Verde de Cidadania", ele terá os moldes de uma legenda política, mas só deverá ser oficializado como tal após as eleições municipais de 2012.
A proposta tem sido analisada há algumas semanas por Marina e os nomes mais ligados a ela, integrantes do grupo Transição Democrática que, desde março, tentam implantar mudanças na estrutura do PV. O movimento será organizado politicamente para abrigar as ideias que, por enquanto, estão sendo recusadas pelo presidente do partido, o deputado federal José Luiz Penna (RJ) - com quem os marineiros travam uma guerra interna. Ao que tudo indica, o anúncio oficial será no final da próxima semana, quando Marina Silva deverá dizer, enfim, se abandonará a legenda com a qual conquistou quase 20 milhões de votos na corrida à Presidência da República, em 2010.
Vice-presidente do PV e braço direito de Marina, o deputado federal Alfredo Sirkis (RJ) evitou apimentar ainda mais o clima de confronto. "Queremos fugir da dinâmica clássica dos partidos de esquerda, em que sempre há rachas. Tentamos apenas canalizar as nossas energias para um instrumento mais democrático e estimulante, construtivo de se trabalhar, sem divergências", comenta. Assim que a estrutura do Movimento Verde de Cidadania estiver montada – com estatuto, diretoria eleita, ata de fundação e CNPJ -, ele será registrado como associação civil, uma entidade sem fins lucrativos.
Questionado sobre o motivo de o grupo não apostar em um novo partido de imediato, Sirkis diz prezar pela cautela. “Se a gente criasse uma legenda agora, apressadamente, correria risco de ter os mesmos problemas do PV atual”, pondera. “Primeiro queremos consolidar os canais democráticos na era das redes sociais e, quando o movimento crescer, passadas as eleições de 2012, aí sim, partir para a criação no cartório para concorrer na próxima disputa”.
Desânimo - Apesar de tentar negar que tenha batido o martelo sobre a saída do PV, o grupo de Marina duvida da possibilidade de uma reviravolta no clima de enterro que predomina no partido. A única manifestação recente dos aliados de Penna foi a entrevista da secretária de Assuntos Jurídicos do partido, Vera Motta, concedida ao jornal Folha de S. Paulo no dia 17, em que ela avisava que Marina "não faria falta" se deixasse a legenda, mensagem entendida pelos marineiros praticamente como uma expulsão. “Se ninguém a desautorizou é porque ela falava em nome do presidente”, conclui Sirkis à ocasião.
No mesmo dia, Sirkis divulgou em seu blog um texto em clima de despedida e enviou para Penna uma lista de condições para que seu grupo permanecesse na legenda. Até agora, porém, não houve nenhum sinal de que os itens serão atendidos. Penna se recusa a atender a imprensa e não marcou qualquer reunião com o grupo de Marina para negociar as reivindicações.
Divulgação
Integrantes do próprio PV criam imagem indicando que Marina Silva e seus aliados no partido não são bem-vindos
Integrantes do PV criam imagem indicando que Marina Silva e seus aliados no partido não são bem-vindos
Para completar, neste fim de semana começou a circular em grupos do PV na internet uma montagem com fotos de lápides nas quais estão escritos os nomes de Marina Silva e seus principais escudeiros: Sirkis, o empresário Guilherme Leal, o ex-coordenador da campanha presidencial João Paulo Capobianco, o ex-deputado federal Fernando Gabeira e o ex-presidente do PV de São Paulo Maurício Brusadin, citado com o apelido "Abuzadin". "Eles estão agindo violentamente contra nós", comenta o verde paulista. "É como se nós tivéssemos morrido para eles, isso tudo parece indicar alguma coisa negativa", acrescenta Sirkis.
Outro sinal de que a debandada é inevitável é a preocupação de verdes que exercem algum mandato eletivo ou têm pretensões eleitorais para 2012 em ficarem sem partido. O próprio deputado Sirkis já está consultando advogados para saber as complicações jurídicas de quem se desfiliar. Os pré-candidatos, porém, devem permanecer filiados e só sairiam caso o Movimento Verde de Cidadania se tornasse uma legenda oficial.
Indecisão - No segundo turno das eleições de 2010, quando o apoio do PV e de Marina era disputado por Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), a ex-senadora resolveu ouvir o que ela chamava de “núcleos vivos da sociedade” para tomar sua decisão, que demorou mais que o necessário para sair. Agora ela resolveu repetir a dose de "diplomacia de Poliana", como o ex-presidenciável Plínio de Arruda Sampaio (PSol) se referia à verde durante a disputa.
Depois de conversar com amigos e apoiadores, Marina resolveu sair de cena: para esfriar o debate, viaja nesta semana para a Alemanha, onde participará de um encontro de partidos verdes de todo o mundo. Lá, ouvirá a opinião de pessoas como Catherine Grèze, representante da federação dos partidos verdes da Europa, que incentivou a candidatura da ex-petista.
Na volta, na próxima quarta-feira, Marina marcará uma plenária nos moldes das eleições de 2010 para pedir a opinião de amigos, como a socióloga Neca Setúbal. “Quando você quer se casar, consulta pais e amigos para ver se está fazendo o certo. Quando pensa em desfazer o casamento, também”, defende Brusadin. “Uma liderança compartilhada pensa assim, tem que ver o que cada um está achando disso tudo. É o jeito da Marina de fazer política”. 
Só depois de todas essas etapas, na quinta-feira, é que a verde anunciará sua decisão de permanecer no PV - apesar da crise e da campanha interna para sua saída - ou deixar o partido menos de dois anos após ter se filiado, quando retirou-se do PT após acirrados confrontos com a então ministra Dilma Rousseff.

Texto do blog do Sirkis sobre a última e desesperada tentativa de salvar o PV

Na verdade, acho que isso é mais uma etapa que o Sirkis está cumprindo na sua meta pessoal de não manchar o seu currículo e poder dizer que lutou até o fim para salvar o projeto de mais de duas décadas, e pode-se dizer, da sua vida. mas na verdade na verdade meesmo, a decisão política já está tomada, os arranjos já estão sendo feitos e sinceramente acho muito mais proveitoso politicamente a criação deste movimento que poderá atrair intelectuais e lideranças de vários outros partidos, que desde já começam a oferecer seus apoios. Segue o texto:

Nossa condição de permanecer

Protocolo de entendimento para a transição democrática no Partido Verde. Proposta que apresentei ao presidente do PV José Luiz Penna e que penso seria base para um acordo capaz de superar a gravíssima crise no PV.

1 – Alterações estatutárias


1.1 – Supressão das alíenas “f” e “g” do Art 25 (prorrogação de mandatos por decisão da executiva)

1.2 – Nova redação da alínea “a” do Art 46: “Eleger o Conselho Muncipal mediante voto dos filiados”

1.3 – Supressão do Artigo 49

1.5 - Nova redação do Artigo 53: “A Estrutura Municipal deverá preencher os seguintes requisitos”

1.6 – Nova redação para o parágrafo “3” do Artigo 53: “O Conselho Municipal eleito que não cumprir, até o final do processo eleitoral subsequente as condições dispostas no Artigo 53 poderá ser dissolvido pela Executiva Estadual convocada nova convenção, para eleição de novo Conselho Municipal, pelo voto dos filiados, num prazo máximo de 90(noventa) dias.”

1.7 – Nova Redação para Artigo 56: “Nas capitais com mais de um milhão de eleitores será formada automaticamente Comissão Executiva Municipal Provisória composta pelos membros da Comissão Executiva Estadual com domicílio eleitoral no município e que procederá a Convenção Municipal, com voto de todos filiados, para o Conselho Municipal que por suas vez elegerá sua Executiva Municipal, cujos membros passarão a ser os integrantes da capital na Comissão Executiva Estadual.”

1.8 – Nova redação do parágrafo 1 do Artigo 56: “As cidades referidas neste artigo poderão, a seu critério, dotar-se de estruturas por bairros ou grupamentos de bairros, representadas no Conselho, ou na Executiva, eleitas pelos filiados domiciliados nas mesmas”

1.9 – Nova redação do parágrafo 2 do Artigo 56: “Nas eleições realizadas para composição Conselhos Municipais ou outras deliberações que impliquem em voto por parte dos filiados em âmbito municipal poderá ser admitido, a critério da Executiva Municipal, o voto pela internet, no dia da Convenção, desde que existam garantias tecnológicas de segurança que garantam a lisura e integridade do processo.”

1.10 – Supressão do paragrafo 3 do Artigo 56

1.11 - Alteração da alínea “g” do Artigo 58: “deliberar sobre questões urgentes, excepcionalmente e em caráter de emegência “ad referendum” da Comissão Executiva, em assuntos políticos ou administrativos que não incluem mudanças de composição de órgãos partidários”.

1.12 – Incluir no Artigo 58, onde couber, Parágrafo Único: O exercício da presidência da comissão executiva nacional, de deliberação da mesma, limitar-se-a ao prazo máximo de 2 (dois anos) vedada a prorrogação ou a reeleição.


2 – Realização imediata de Convenção Nacional para referendar as modificações estatutárias acima acordadas e, simultanemente, promover a atualização programática adaptando e incorporando ao Programa do Partido as contribuições programáticas da campanha presidencial de 2010.


3 – Realização com prazo final de 15 de setembro de 2011 de convenções municipais para a eleição dos novos Conselhos Municipais.


4 – Formação de Comissão de Conciliação para gestão do processo de transição com as seguinte composição: Pena, Marina, Sirkis, Xavier, Zé Carlos, Carla, Reinaldo, Mroz. Essa comissão acordará um sistema para a realização de Convenções Estaduais e Nacional a ser incorporada no estatuto até o final do ano.


5 – Solução provisória para questões estaduais:


5.1 – Mudança das Comissões Estaduais no Amazonas e Mato Grosso, estados onde o PV fracassou eleitoralmente, de forma a assegurar uma nova representação mais apropriada.


5.2 – Examinar situação na Paraiba para eventual nova equipe


5.3 – Reincorporar rapaz expurgado no Ceará. Havendo alguma questão de natureza ética, exame da mesma por comissão paritária, isenta, que dará a decisão final a ser aceita pela executiva estadual CE.


5.4 – São Paulo: prorrogar imediatamente a Executiva Estadual SP no mesmo prazo das outras permitindo, no entanto, a seu critério, que em 30(trinta dias) eleja seus cargos internos, buscando-se, politicamente, nome de consenso para a presidência. Paraná: mesmo critério.


5.5 - DF: duas possibilidades: 1) Entendimento para uma composição paritária com Eduardo Brandão na presidência num novo clima de entendimento, reuniões regulares, discussão e participação no governo 2) Convenção mediante votação dos filiados nos prazos das Convenções Municipais previstas até 15 de setembro.


6 – Convenção Nacional para novo Conselho Nacional até o final do ano.


7 – Anúncio público de que o PV lançará candidaturas próprias e não coligará nas eleições proporcionais nas capitais e grandes cidades.


Exceções terão que ser autorizadas pela Executiva Nacional.

De saída do PV, Marina libera aliados e estuda nova sigla para 2013

Prestes a deixar o Partido Verde e ainda sem a formalização de uma nova sigla, a ex- senadora Marina Silva (AC) e terceira colocada na eleição presidencial de 2010 volta a movimentar sua vida e seu futuro político. Durante esta semana, Marina reuniu-se com partidários simpatizantes de seu grupo e os autorizou a buscar abrigos temporários para que disputem as eleições municipais de 2012.
Ela estaria articulando a formação de um novo partido em 2013 para poder novamente concorrer à Presidência no ano seguinte.
A medida deve dividir o grupo de Marina por partidos da base de apoio e da oposição ao governo até que a nova sigla seja fundada.
Na terça-feira (28), Marina esteve em São Paulo com integrantes do Movimento Marina Silva – apoiadores de sua campanha no ano passado. Na reunião, ela prometeu respeitar os acordos que forem fechados em cada estado. A tendência é que os "marineiros" se dispersem em várias legendas, sem distinção ideológica. Em São Paulo, já houve convite do PPS, que faz oposição ao governo federal. Em Pernambuco, o grupo é ligado ao PSB, que integra a coalizão de Dilma.
A previsão é que Marina comunique sua saída do PV na próxima quinta-feira (7) e, após isso, fique sem filiação partidária. Outros verdes também estão com a saída programada junto a Marina, entre eles João Paulo Capobianco, ex-secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente, e Guilherme Leal, candidato a vice na chapa à Presidência. Figura há mais tempo no partido, Fabio Feldmann anunciou a desfiliação e não quer migrar para outra sigla. O deputado Alfredo Sirkis (RJ), que também manifestou insatisfação, não definiu um caminho.

Preço pela filiação

Segundo informação do jornal Folha de S.Paulo, o economista José Eli da Veiga divulgou, nesta quarta-feira (29), carta aberta a Marina Silva afirmando que ela foi "forçada a pagar caro pedágio" pela obrigação legal de estar filiada a um partido para que pudesse concorrer à Presidência no ano passado. Veiga fez parte da equipe da ex-presidenciável como um dos articuladores da campanha.
O economista afirma que é hora de assumir que partidos políticos estão obsoletos e que deixaram de fazer sentido "com a democracia eletrônica".

Heloisa Helena deve se juntar à Marina Silva

Assim como outros nomes do PT, PDT e vários partidos, Heloísa Helena, presidente nacional licenciada do PSOL declara apoio à Marina Silva.

A vereadora de Maceió Heloísa Helena (PSOL) se dispôs a ajudar a ex-senadora Marina Silva em seu novo projeto político fora do PV. Pela amizade de longa data, Heloísa Helena chegou a se indispor com o PSOL em 2010 por defender o apoio do partido à candidatura de Marina à sucessão presidencial. Embora não confirme a intenção de deixar o PSOL, a vereadora deixa claro que quer estar próxima da antiga companheira do PT. "Caso ela resolva criar um movimento nacional que possa ou não culminar com a construção de um novo partido - e se ela quiser ou precisar da minha ajuda ou mesmo de militantes de qualquer partido ou sem partidos -, entendo que é legítimo que possamos democraticamente ajudá-la", admitiu.
Em entrevista por mensagem de texto, Heloísa Helena diz que vem mantendo contato com Marina e que sua relação com a ex-colega de Senado é de afeto e respeito político. "É absolutamente normal que conversemos sobre todos os assuntos", afirmou. A vereadora disse que pode colaborar com a construção de um novo partido, independentemente de continuar ou não no PSOL. "Muitas pessoas nos ajudaram com suas assinaturas e seu trabalho para a construção do PSOL mesmo sem total identidade ideológica conosco e sem compromisso preliminar com filiação ou militância - apenas por respeito às nossas histórias de vida e por compromisso democrático."
Aliados próximos de Marina afirmam que a retomada do Movimento Brasil Sustentável vem sendo discutida apenas com os companheiros do PV insatisfeitos com a sigla e que não há conversas formais com Heloísa Helena. Deste movimento político deve surgir um partido em 2013, cujas bandeiras para 2014 serão o verde e a cidadania. "Certamente a Heloísa Helena poderia dar uma grande contribuição neste processo", comentou João Paulo Capobianco, que foi coordenador da campanha de Marina Silva.
De acordo com Capobianco, Marina está mais preocupada em esclarecer os grupos da sociedade civil que a apoiaram em 2010 sobre sua saída do PV do que arregimentar nomes para um futuro partido. "A Heloísa Helena sempre foi muito próxima de Marina", desconversou Luciano Zica, que também está de saída do PV.
Heloísa Helena vem de um processo de desgaste dentro do PSOL, partido formado por dissidentes do PT em 2004. No ano passado, como presidente nacional da legenda, Heloísa Helena defendeu abertamente o apoio da sigla a Marina. Sua manifestação causou constrangimento no partido, que acabou escolhendo como candidato à Presidência da República Plínio de Arruda Sampaio.
"Não vou negar a importância que Marina tem, não apenas pessoalmente, no meu coração, mas por ser a grande chance que o Brasil tem de promover um debate sério sobre o desenvolvimento econômico sustentável com responsabilidade social", defendeu Heloísa na época. Após o fracasso das negociações de apoio ao PV, Plínio derrotou o pré-candidato de Heloísa Helena (Martiniano Cavalcante) nas prévias e sugeriu na ocasião que Heloísa Helena deixasse a direção da sigla, uma vez que ela não apoiava o candidato de seu próprio partido.
Passado o primeiro turno da eleição presidencial, a vereadora, que foi derrotada na disputa por uma vaga no Senado, comunicou seu afastamento da presidência do PSOL por "falta de identidade" com algumas posições da legenda, entre elas o apoio no segundo turno à presidente Dilma Rousseff.

"Marina pagou preço alto no PV"

Aliado diz que Marina pagou preço caro por se filiar ao PV

O economista José Eli da Veiga, professor da USP, divulgou uma carta aberta enviada à a senadora Marina Silva (PV) na qual diz que ela foi "forçada a pagar caro pedágio" pela obrigação legal de estar filiada a alguma partido para concorrer à Presidência nas eleições do ano passado.

Veiga foi um dos articuladores da campanha de Marina. A senadora deve deixar o PV e já autorizou os aliados a buscar abrigo temporário em outras legendas para disputar as eleições municipais de 2012.

Na carta, o economista afirma que é hora de assumir que partidos políticos estão obsoletos e que deixaram de fazer sentido "com a democracia eletrônica".

"O que interessa é conquistar uma evolução institucional adaptada à realidade presente, e não à realidade dos séculos 19 e 20. O nó da questão é, portanto, a legislação eleitoral brasileira", diz.

Depois de três meses de queda de braço com a cúpula do PV, Marina, terceira colocada na eleição presidencial de 2010, deve anunciar na próxima semana sua saída do partido.

Ela planeja reunir verdes e simpatizantes num movimento político baseado na internet antes de articular a criação de outra sigla para disputar o Planalto em 2014.

A senadora também criará um instituto com seu nome, dedicado a ações de educação ambiental e formação política.

A intenção da verde, segundo aliados, é usar a ONG para "politizar" fiéis e se manter em evidência no segmento evangélico, que já representa 25% dos brasileiros.

Como o mandato dela no Senado termina dia 31, o plano é acelerar a criação do instituto para evitar um afastamento dos eleitores.

 Rapidinhas:

Marina fora, PV quer ministério

A ex-senadora Marina Silva vai anunciar sua saída do Partido Verde, como esta coluna antecipou, no dia 7, em Brasília. O PV aproveitará para reforçar o "diálogo" com a presidenta Dilma, de olho na indicação do ministro do Meio Ambiente. Lideram a aproximação os deputados Zequinha Sarney (PV-MA) e José Luiz Penna (SP), presidente do PV. Eles contam com a eventual minirreforma ministerial de dezembro.


Gabeira fora

Com Marina, afastam-se também o deputado Alfredo Sirkis (RJ) e Fernando Gabeira, que não disputará a eleição no Rio em 2012.

PS vem aí

Já rola no Congresso a piadinha de que Marina Silva vai criar o "PVdoB", mas ela projeta para 2013 o Partido da Sustentabilidade (PS).

Debandada

Com Marina, pelas contas de Alfredo Sirkis, mais vinte parlamentares deixarão o PV, entre senadores e deputados.

Maniqueísmo

Segundo um militante verde, há no PV um conflito entre "fisiológicos clientelistas" e "ideológicos programáticos".

Depois de Marina Silva, Alfredo Sirkis ameaça deixar PV

Depois de Marina Silva, Alfredo Sirkis ameaça deixar PV

Vice-presidente da legenda divulgou texto impondo condições para ficar

Adriana Caitano
Alfredo Sirkis diz ter sido dominado por um "pessimismo resignado"
Alfredo Sirkis diz ter sido dominado por um "pessimismo resignado" (Marco Antonio Cavalcanti/Agência O Globo)
Depois de Marina Silva dar sinais claros de que sua permanência no PV fica cada vez mais improvável, o deputado federal Alfredo Sirkis (RJ), um de seus aliados mais próximos, também parece estar disposto a jogar a toalha.
O vice-presidente do PV, até então considerado um dos poucos a acreditar em uma negociação pacífica entre os grupos rivais que travam uma guerra interna no partido, divulgou textos em seu blog, em tom de despedida, impondo condições para ficar.
Na última semana, apesar de verdes do grupo Transição Democrática afirmarem que Marina estava prestes a se desfiliar do PV, Sirkis insistia em negociar com o presidente José Luiz Penna. Ele era o único do grupo que ainda mantinha contato direto com o presidente e dizia acreditar em uma reviravolta.
Penna e seus aliados permaneciam em silêncio até então. Na sexta-feira, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, a secretária de Assuntos Jurídicos do partido, Vera Motta, afirmou que Marina não faria falta se deixasse a legenda. Ela também disse que os dirigentes estariam analisando um possível processo contra a ex-presidenciável pelas críticas feitas a Penna.
Estopim - As afirmações de Vera serviram como estopim para a crise. "Não vi nenhum gesto de Penna ou de ninguém de seu grupo desautorizando-a. Tornou-se, então, a porta-voz e quem cala, consente", destaca Sirkis em seu blog. No mesmo texto, o deputado diz ter sido dominado por um "pessimismo resignado" ao ver que a negociação estava se diluindo e que Marina era vista como estorvo pelo grupo do presidente. “Vou canalizar minhas energias para um movimento político suprapartidário que, sem ser partido, adquira capilaridade em todo o Brasil”, completa.
No domingo, Sirkis subiu o tom. Com um texto intitulado “Nossa condição de permanecer”, ele lista itens enviados para José Luiz Penna que deveriam ser considerados para um possível “acordo capaz de superar a gravíssima crise” no partido.
Entre as reivindicações, Sirkis cita pontos considerados delicados pelo grupo de Penna: reincorporar filiados expulsos sem justificativa ética; poder de voto a todos os filiados em escolhas municipais; realização de uma convenção para a escolha de um novo Conselho Nacional; prorrogação da executiva estadual de São Paulo nos mesmos critérios dos demais estados e anúncio público de que o PV lançará candidaturas próprias e não fará coligações nas eleições proporcionais das capitais e grandes cidades.
Decisão - Na opinião de aliados, a atitude do vice-presidente do partido demonstra que a debandada está mais próxima de ocorrer. “Essa é a primeira vez que o Sirkis ameaça sair. Ele colocou o gato em cima do telhado e sua opinião conta muito para a Marina”, destaca um verde ligado à ex-senadora. "Ele só divulgou essas condições num tom 'para não dizer que não falei das flores'."
A palavra do ex-deputado federal Fernando Gabeira (RJ) também tem peso de ouro tanto para Marina quanto para Sirkis. Ele diz estar afastado das discussões por estar se dedicando à escrita de um livro, mas se viu obrigado a entrar no assunto. "Eu até tentei ajudar na conciliação, mas não consegui. Fui me dedicar a meu lado profissional, mas a Marina me ligou ontem [domingo] dizendo que a situação para ela está muito difícil dentro do partido, porque há um grupo não só se recusando a modificar a estrutura do PV, mas querendo que ela saia”, relata.
Gabeira deve se reunir no fim da semana com Sirkis e Marina para ficar a par da crise. “Concordo com a ideia de mudança e democratização no PV, mas só vou tomar minha decisão após conversar com as pessoas com quem atuo no partido”, diz. Perguntado se, pela conversa com Marina, sentiu que ela está prestes a desistir da legenda, Gabeira indica: “Sim, senti pouca possibilidade de reversão desse quadro”.
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